Pesadelos frequentes podem agravar problemas de saúde mental, diz pesquisa



Acordar assustado após um pesadelo é uma experiência comum para muitas pessoas. Mas quando esses episódios se tornam frequentes, os impactos podem ir muito além de uma noite mal dormida. Uma revisão científica publicada recentemente sugere que os pesadelos podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento e agravamento de problemas de saúde mental.

O estudo, intitulado “Nightmares and Psychiatric Symptoms: A Systematic Review of Longitudinal, Experimental, and Clinical Trial Studies“, reuniu evidências de 40 pesquisas para investigar a relação entre pesadelos e transtornos psiquiátricos. 

Os resultados indicam que os pesadelos não são apenas uma consequência do sofrimento emocional, mas podem também contribuir para o aparecimento de sintomas de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e até aumentar o risco de comportamento suicida.

Os pesquisadores observaram que pessoas com pesadelos frequentes apresentavam maior probabilidade de desenvolver sintomas psicológicos ao longo do tempo. Em alguns estudos, os episódios noturnos também foram associados a um risco mais elevado de pensamentos suicidas, tentativas de suicídio e experiências psicóticas, como paranoia.

Outro dado que chamou atenção foi o efeito positivo do tratamento dos pesadelos. Ensaios clínicos analisados pela revisão mostraram que reduzir a frequência e a intensidade desses sonhos perturbadores levou a melhorias significativas em quadros de TEPT, depressão e ansiedade.

Segundo os autores, uma das explicações para essa relação está na interrupção constante do sono. Os pesadelos fragmentam o descanso noturno, favorecem a insônia e dificultam a recuperação física e emocional do organismo. Com o tempo, esse ciclo pode prejudicar a regulação das emoções e aumentar a vulnerabilidade ao sofrimento psicológico.

Apesar das evidências, os pesquisadores destacam que os pesadelos ainda recebem pouca atenção nos serviços de saúde mental. Para eles, identificar e tratar esse problema pode representar uma oportunidade importante para melhorar não apenas a qualidade do sono, mas também o bem-estar emocional dos pacientes.

A conclusão da revisão é clara: quando os pesadelos são recorrentes e causam sofrimento, eles não devem ser encarados como algo sem importância. Além de comprometer o descanso, podem estar diretamente ligados à saúde mental e merecem avaliação adequada por profissionais especializados.



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