Mudar de vida, conquistar independência financeira, sair da informalidade e construir um futuro mais seguro. Para milhares de maranhenses, o empreendedorismo tem se tornado uma alternativa concreta para transformar a própria realidade. Diante desse cenário, O Imparcial realizou um levantamento sobre as principais vantagens de empreender, os caminhos para formalização e as oportunidades disponíveis para quem deseja dar os primeiros passos no mundo dos negócios. Os dados mostram que, mais do que abrir uma empresa, empreender pode significar acesso a crédito, proteção previdenciária, novos mercados e a possibilidade de gerar renda para toda a família.
No Maranhão, esse movimento já alcança números expressivos. Segundo dados da Receita Federal e do DataSebrae, o estado contabiliza 398.500 empreendimentos formais e ativos. Desse total, 340.665 são pequenos negócios, incluindo microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. Somente em São Luís, são 123.227 negócios ativos, dos quais 109.580 pertencem ao segmento dos pequenos negócios.
Por trás desses números estão histórias de pessoas que decidiram transformar habilidades, conhecimentos e experiências em fonte de renda. Em muitos casos, trata-se de trabalhadores que encontraram no empreendedorismo uma oportunidade de superar períodos de desemprego, complementar a renda familiar ou conquistar autonomia financeira.
O avanço da formalização é um dos principais indicadores dessa mudança. Atualmente, o Maranhão reúne mais de 144 mil microempreendedores individuais ativos, enquanto São Luís concentra 46.164 registros. O crescimento acompanha um cenário favorável ao empreendedorismo, marcado pela simplificação dos processos burocráticos e pelo fortalecimento das políticas de apoio aos pequenos negócios.
Para quem está pensando em empreender, as vantagens vão muito além da abertura de um CNPJ. A formalização permite emitir notas fiscais, prestar serviços para empresas privadas e órgãos públicos, acessar linhas de crédito com condições mais favoráveis, abrir contas empresariais e ampliar as possibilidades de crescimento do negócio. Além disso, o empreendedor passa a contar com uma rede de proteção social garantida pela Previdência Social.
Em um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico e sujeito a oscilações, o MEI também representa uma estratégia de segurança para o futuro. O pagamento mensal da contribuição garante acesso à aposentadoria por idade, aposentadoria por incapacidade permanente, auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão para os dependentes.

Planejamento e estratégia como ferramentas
Esse conjunto de benefícios ajuda a explicar por que o Maranhão registra, em média, mais de 15 mil novas formalizações por ano. O que antes era visto apenas como uma alternativa para regularizar atividades informais passou a ser encarado como um instrumento de planejamento de vida e de proteção para o empreendedor e sua família.
Segundo o superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal de Barros Filho, o estado vive um momento histórico de expansão dos pequenos negócios.
“O Maranhão hoje, conforme dados de 04/06/2026, já supera os 398 mil negócios formais e ativos, fora as empresas de natureza pública. Bem no caminho, portanto, do marco histórico de 400 mil empreendimentos e logo dos 500 mil. Nesse universo, os pequenos negócios representam, hoje, 90,1% do total. Entre as diretrizes estratégicas do Sistema Sebrae e de nossa atuação no Maranhão estão o fomento ao empreendedorismo e o apoio ao empreendedor em toda a sua jornada”, destacou.
A proposta do Sebrae é atuar desde a ideia inicial até a consolidação do negócio. Para isso, a instituição investe em capacitação, orientação empresarial, inovação e acesso a mercados, especialmente para públicos que historicamente enfrentam maiores dificuldades de inserção econômica.
“Para isso, desenvolve ações voltadas à capacitação, orientação empresarial e acesso a mercados para públicos historicamente excluídos, como moradores de periferias urbanas, comunidades rurais, quilombolas, indígenas, pescadores artesanais, marisqueiras e agricultores familiares”, explicou Albertino Leal.
A inclusão socioprodutiva é uma das frentes prioritárias da instituição. Por meio do Programa Cidade Empreendedora, o Sebrae pretende alcançar os 217 municípios maranhenses. Atualmente, o eixo de inclusão socioprodutiva já está presente em 106 municípios e tem como meta qualificar duas mil mulheres em situação de vulnerabilidade social.
“Essa iniciativa busca capacitar as mulheres, promover a geração de renda em comunidades de maior vulnerabilidade, conectando empreendedorismo, qualificação profissional, condições de empregabilidade e oportunidades de mercado”, afirmou.
Inovação e tecnologia x impacto social
Além do empreendedorismo tradicional, o Maranhão também avança na área da inovação. São Luís tornou-se referência nacional ao reduzir para apenas três horas o tempo médio de abertura de empresas, criando um ambiente mais favorável para o surgimento de startups e negócios de impacto social.
Para Cesar Guimarães, gerente da Unidade de Inovação e Tecnologia do Sebrae Maranhão, o fortalecimento desse ambiente pode gerar soluções para problemas urbanos e criar novas oportunidades econômicas.
“De fato, entendemos que fortalecer a inovação no estado e em São Luís significa estímulo ao surgimento de mais negócios de impacto social, um caminho a ser desbravado”, afirmou.
Segundo ele, programas como Catalisa Gov, Sebraetec Negócios Inovadores, Ideathons e Supernova buscam preparar empreendedores para desenvolver soluções capazes de atender tanto ao mercado quanto ao setor público.
“Particularmente, vejo que o estímulo à inovação e ao surgimento de startups de um modo geral, assim como as de impacto social, são aspectos que podem contribuir muito para ampliar a competitividade da economia local, gerar renda e desenvolvimento com inclusão”, ressaltou.
O apoio aos negócios de impacto também já apresenta resultados concretos. Um dos exemplos destacados pelo Sebrae é a Apoena Biotecnologia, startup instalada em Coroatá e acelerada pelo programa Inova Cerrado, que desenvolve soluções ligadas à cadeia produtiva do babaçu e promove a inclusão econômica de quebradeiras de coco e comunidades tradicionais.
Mais do que incentivar a abertura de empresas, a estratégia da instituição busca criar empreendimentos sustentáveis, capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento local.
“A intenção é fomentar o empreendedorismo como ferramenta de redução da pobreza. O objetivo final não é apenas aumentar o número de empresas formalizadas, mas criar negócios sustentáveis capazes de gerar emprego, renda, autonomia econômica e desenvolvimento local. Dessa forma, o empreendedorismo torna-se uma ferramenta efetiva de combate à pobreza, redução das desigualdades e inclusão produtiva das populações periféricas e tradicionais do Maranhão”, concluiu Albertino Leal.
Para o leitor que sonha em mudar de vida, os números revelam uma mensagem clara: empreender deixou de ser apenas uma alternativa para quem quer abrir um negócio. Tornou-se uma oportunidade concreta de construir autonomia, conquistar estabilidade financeira e assumir o protagonismo da própria história.
FIQUE POR DENTRO
Abrir um negócio pode parecer um desafio, mas quem deseja empreender não precisa começar sozinho. O Maranhão conta com uma rede de instituições, programas e plataformas que oferecem orientação, capacitação e apoio para transformar uma ideia em uma fonte de renda.
