Diversidade
Discursos de abertura foram marcados por críticas à direita e ao conservadorismo
Parada de São Paulo é considerada a maior do mundo | Foto: Reprodução/Redes Sociais
A 30ª edição da Parada LGBT+ de São Paulo teve início na manhã deste domingo (7) na avenida Paulista com atos políticos no trio elétrico principal, mobilização em torno das eleições e um cenário de encolhimento financeiro: a organização registrou redução de 60% nos patrocínios privados em relação ao ano anterior. O tema escolhido para a edição foi “A rua convoca, a urna confirma”.
Os discursos de abertura foram marcados por críticas à direita e ao conservadorismo. A drag queen Salete Campari, uma das precursoras do evento, relembrou a trajetória do movimento. “Há 30 anos, quando colocamos 500 pessoas na rua, falavam que era uma loucura. Hoje é a maior loucura do mundo”, disse. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) e os deputados estaduais Eduardo Suplicy e Beth Sahão, ambos do PT, e Mônica Seixas (PSOL) também discursaram, além da deputada federal Erika Hilton (Psol).
“A parada é a última barreira para os conservadores pelo que ela representa”, afirmou Sâmia. Léo Áquilla (PSB), transexual e pré-candidata a deputada estadual, acrescentou: “Jamais aceitaremos voltar para o armário. Nós somos um povo de paz, mas se eles querem guerra, nós vamos lutar. A arma deles é o ódio, e a nossa é o amor.”
O cortejo contou com 14 trios elétricos, quatro a menos que na edição anterior, com partida às 10h pela Paulista e pela rua da Consolação. Entre as atrações confirmadas estão Pabllo Vittar, Gloria Groove, Thiago Pantaleão e Melody.
A queda de patrocínios concentra parte das preocupações da organização. Nos últimos cinco anos, marcas como Burger King, Mercado Livre, Sephora, Smirnoff e Vivo deixaram de apoiar o evento. Amstel e L’Oréal estão entre as patrocinadoras desta edição com trios próprios. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) também reduziu a contribuição municipal para R$ 5,5 milhões, R$ 500 mil a menos que em 2025, valor destinado a infraestrutura, artistas e atividades paralelas como a Feira LGBT+ no Vale do Anhangabaú.
O enfoque eleitoral, comum em anos de disputa, orienta a mobilização desta edição. “O objetivo central é incentivar o voto consciente em candidatos e candidatas que efetivamente lutem pelos direitos da comunidade LGBT+. Mas não defendemos nenhum partido específico”, declarou Matheus Emílio, diretor e porta-voz da organização. O evento também repercute um projeto de lei aprovado em primeira votação na Câmara Municipal que propõe proibir a presença de crianças e adolescentes na Parada e transferir o evento para espaço fechado.
Com informações da Folha de SP
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