Indústria de beneficiamento de açaí Yvy inicia operação em 30 dias em Feijó


O empresário Maurício Pedroso foi agricultor no Rio Grande do Sul por 35 anos. Calejou as mãos e a paciência cultivando soja e milho. Expandiu o trabalho para o Centro-Oeste onde se irritava com o clima seco. Nessa lida com agricultura Brasil adentro, conheceu um amigo do Acre há aproximadamente 12 anos. Foi quando resolveu visitar a região pela primeira vez.

“O mês de setembro ali na região central é seco. Ficava incomodado com aquela secura. Quando cheguei aqui em setembro e vi tudo verde eu já gostei”, lembra. “E vi oportunidade no açaí. É uma riqueza pouco aproveitada no Acre”.

Há três anos, decidiu, junto com a família, apostar na ideia de beneficiar o açaí. Em 30 dias, entra em operação, no município de Feijó, a Indústria Yvy. Inicialmente, a capacidade de beneficiamento será de 28 toneladas por dia. Mas a estrutura da unidade industrial pode dobrar. “Depende da oferta que for apresentada. As únicas estruturas que precisariam de ajustes para aumentar a capacidade de beneficiamento seriam a batedeira e a envazadora. Tudo o mais já está pronto para dobrar a capacidade, caso seja preciso”.

A unidade industrial vai empregar diretamente entre 20 e 25 pessoas que vão oferecer ao mercado popa com percentuais sólidos do fruto de 8%, 12% e 14%, além do mix de açaí. O mix é a versão mais popular, utilizada nas açaiterias em cidades de todo país. As embalagens do açaí serão oferecidas aos clientes em quatro versões: 250g; 1Kg; 5Kg e 10Kg.

A instalação da indústria em Feijó foi estratégica. A família entendeu que o município de Feijó está geograficamente localizado em uma região que pode absorver a extração de praticamente todo Acre e até do Amazonas. Cruzeiro do Sul, Envira (AM), Sena Madureira e Plácido de Castro são regiões que já estão na agenda da Yvy como fornecedoras de açaí.

O processo de beneficiamento da Yvy é praticamente todo automatizado. O contato humano é mínimo. O maquinário é nacional, produzido no Pará em uma indústria especializada no segmento.

Açaí do Acre tem um sabor “mais forte” que o paraense

O açaí do Acre é do tipo “precatória” (aquele em que há um único tronco). Pedindo emprestado uma expressão da produção de vinhos, o terroir do Acre produz um fruto “mais forte”. “Tanto isso é verdade que há indústrias do Pará que compram açaí daqui do Acre para fazer um ‘blend’, uma mistura, com o açaí de lá para oferecer um mix”, explica Pedroso.

“Blend” é um termo muito usado no beneficiamento do café para designar a mistura de grãos. No exemplo citado pelo empresário, mostra uma diferença importante entre o açaí produzido no Acre e o que é produzido no Pará, que, sozinho, atualmente, detém mais de 90% do mercado global do fruto. “O açaí do Pará é o olerácea. Ele ramifica. Digamos que o açaí de lá é mais suave. É mais leve”, compara Maurício Pedroso, da Yvy. “Açaí nunca é igual um ao outro. O açaí de Cruzeiro é diferente do de Feijó, que é diferente do de Plácido de Castro. O terroir é próprio. O chamado ‘açaí de Feijó’, realmente, tem um terroir bem característico, forte”.

Comercialização é o principal gargalo

Para o empresário Maurício Pedroso o principal problema que ele identificou não foi a logística para o escoamento da extração. O problema principal é a comercialização. Atualmente, a maior parte do açaí extraído no Acre não fica aqui. É comercializado com outros estados sem nenhum tipo de industrialização. O produto sai in natura em caminhões com câmaras frias.

O açaí produzido no Acre é um pouco mais resistente do que o paraense. Enquanto o açaí de lá suporta 24 horas para iniciar processo de oxidação. O fruto acreano aguenta até 48 horas.

A Yvy está de olho no fato de o açaí estar presente em 20 a 25% do mercado de sorvete do país. Já tem potenciais clientes nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. “Precisamos ter certificações para poder exportar via Porto de Chancay. Está no nosso radar”, antecipou Pedroso. Quando as operações iniciarem em 30 dias, as amostras da indústria Yvy serão levadas para avaliação e ajustes.

Morando em Cruzeiro do Sul, a família Pedroso plantou açaí, em uma área de cinco hectares, consorciado com banana e café. A área não é irrigada e está com produtividade sendo avaliada. A primeira safra está sendo esperada para os próximos três anos.

Ao lado da indústria de Feijó, Pedroso pretende criar um viveiro para estimular o plantio de açaí.



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