Brasília – Diante do anúncio de um novo “tarifaço” por parte dos Estados Unidos, senadores articulam a realização de audiências públicas para ouvir os setores produtivos brasileiros que correm o risco de ser severamente afetados. Se confirmada, a taxação extra de 25% sobre uma lista de produtos nacionais pode entrar em vigor já a partir do dia 15 de julho.

(Foto: Vosmar Rosa/MPOR)
O impacto da medida preocupa o parlamento, uma vez que a barreira alfandegária atinge diretamente a competitividade das exportações do país.
Lei da Reciprocidade e a busca por diálogo
Embora o Brasil possua um instrumento legal que permite o contra-ataque comercial — aplicando uma sobretaxa equivalente sobre produtos americanos —, a ala governista e a oposição no Senado defendem a cautela. Antes de propor a aplicação da chamada Lei da Reciprocidade, os parlamentares sugerem esgotar as vias diplomáticas.
Senadores de diferentes partidos, como Nelsinho Trad (PSD-MS), Jaques Wagner (PT-BA), Tereza Cristina (PP-MS), Eliziane Gama (PSD-MA) e Carlos Portinho (PL-RJ), vêm liderando o movimento que prioriza a negociação direta com Washington.
O objetivo do Senado é abrir um canal de diálogo com o governo americano para tentar reverter ou suavizar a taxação de 25%, evitando uma guerra comercial que prejudique o agronegócio e a indústria brasileira.
As comissões da Casa devem definir nos próximos dias o calendário de convocações de representantes do setor produtivo e do Ministério das Relações Exteriores para traçar a estratégia de negociação antes do prazo final de 15 de julho.