A comunicação indígena segue consolidando o seu papel estratégico no fortalecimento de vozes, na defesa de territórios e na construção de narrativas próprias na Amazônia. Na próxima sexta-feira e sábado, 5 e 6, Rio Branco será o ponto de encontro da segunda edição do maior evento de comunicação indígena do estado.
Organizado pelo Coletivo de Comunicação Indígena do Acre – Tetepawacomunica, o encontro tem como objetivo reunir lideranças e jovens comunicadores de mais de dez povos indígenas da região. O espaço foi projetado para promover uma intensa troca de experiências, rodadas de formação e a construção coletiva de novas estratégias de difusão cultural e política de suas comunidades.
Juventude e protagonismo amazônico
A atividade integra um projeto continuado que recebe o suporte financeiro do Fundo Brasil de Direitos Humanos, iniciativa voltada a potencializar projetos de comunicação protagonizados pela juventude amazônica. Esta já é a segunda oficina de formação realizada no âmbito da proposta, consolidando um esforço de médio prazo para ampliar o alcance e a autonomia da comunicação comunitária e indígena em solo acreano.
Para além do protagonismo juvenil, o sucesso do encontro está ancorado em uma forte rede de articulação institucional. O evento conta com a parceria direta de importantes organizações indigenistas e sociais que atuam no estado, incluindo a Comissão Pró-Indígena do Acre (CPI-AC), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Instituto INU, a Federação do Povo Huni Kui do Estado do Acre (FEPHAC) e a Associação Comunitária da Morada Nova (ACOSMO).
Eixos temáticos e programação
As atividades práticas e teóricas estarão divididas em quatro grandes eixos de debate e aprendizado. O primeiro abordará a produção de conteúdo para redes sociais, focando em técnicas de captação, edição e publicação voltadas às plataformas digitais.
O segundo eixo será dedicado ao combate a fake news, trazendo estratégias de checagem e proteção contra a desinformação que afeta diretamente as comunidades tradicionais. Já o terceiro pilar focará na comunicação comunitária e no fortalecimento territorial, discutindo o uso de ferramentas de mídia como instrumento de vigilância e proteção das terras demarcadas.
Por fim, o encontro debaterá a construção de narrativas sobre a luta e os direitos, buscando formas de projetar globalmente as pautas prioritárias e a legislação dos povos originários a partir de uma perspectiva interna.