Brasil – Um desabafo da professora Angelina Rocha sobre os desafios da alfabetização infantil ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias. Em um vídeo, a educadora relata a dificuldade enfrentada por professores ao receber alunos no primeiro ano do ensino fundamental sem conhecimentos básicos sobre o alfabeto.
Durante o relato, Angelina comparou a infância de gerações anteriores com a realidade atual, marcada pelo consumo constante de conteúdos digitais.
Segundo ela, muitas crianças chegam à escola familiarizadas com músicas e tendências da internet, mas apresentam dificuldades em habilidades fundamentais para o processo de alfabetização.
“As crianças estão chegando no primeiro ano sem saber o alfabeto. Papo rápido na hora do recreio. Mas sabe cantar Labubu, bailarino, cappuccino, tralalero, sei lá o que é isso. Six seven, six seven. Volta Xuxa Só para Baixinhos, por favor”, afirmou.
A professora também relembrou programas e músicas educativas que, segundo ela, contribuíam para o aprendizado das crianças de forma lúdica.
“Antigamente a criança ligava a televisão e era A de amor, B de baixinho, C de coração, trem do alfabeto. A, B, C, D, E, F, G. Era música repetitiva? Era. Era meio surtado? Era também. Mas a criança sabia o alfabeto”, disse.
Na avaliação da educadora, os conteúdos consumidos atualmente pelas crianças nem sempre favorecem o desenvolvimento da linguagem e das habilidades necessárias para a alfabetização.
“Hoje o algoritmo entrega estímulo, não entrega linguagem, não entrega consciência fonológica, não entrega o alfabeto, e a gente tem que começar aqui do primeiro ano do absoluto zero”, declarou.
Ao concluir, Angelina chamou atenção para os impactos desse cenário no ambiente escolar e no processo de aprendizagem dos estudantes.
“A infância virou conteúdo de retenção. E quem está pagando o preço é a escola, e a alfabetização”, finalizou.
Veja vídeo (Reprodução @professoraangelinarocha):
