Horas após a audiência de conciliação que colocou fim à greve dos trabalhadores da Educação da rede municipal de Rio Branco, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Acre (Sinteac) divulgou detalhes do acordo firmado com a Prefeitura e apresentou sua avaliação sobre os resultados das negociações.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira, 2, a presidente do sindicato, Rosana Nascimento, afirmou que o entendimento construído durante a mediação conduzida pelo desembargador Nonato Maia resultou em avanços em relação à proposta anteriormente apresentada pela gestão municipal.
“Pela primeira vez o Tribunal de Justiça conseguiu fechar um acordo de grevistas e o patrão. Para quem começou a divulgar que nós iríamos nadar e morrer na praia, que nós iríamos sentar no bronze porque não tinha dinheiro, nós avançamos na proposta apresentada pela prefeitura”, declarou.
Segundo a dirigente sindical, os servidores enquadrados nas tabelas salariais com vencimentos abaixo do mínimo praticado pelo município terão os valores reajustados para R$ 1.702, com impacto na carreira funcional.
“Vai ser o salário-mínimo mais os 5%. O ensino fundamental vai ficar R$ 1.702 e vai ter reflexo em toda a sua carreira. A segunda tabela também vai ficar com o mesmo valor para depois a gente discutir no PCCR e unificar essas tabelas”, afirmou.
De acordo com Rosana, para os demais profissionais da Educação será mantido o reajuste linear de 5% previsto na proposta da Prefeitura.
Comissão vai analisar situação financeira
Outro ponto destacado pelo sindicato foi a criação de uma comissão para analisar a situação financeira do município e discutir reivindicações que permaneceram em aberto durante as negociações.
Segundo a presidente do Sinteac, a participação dos sindicatos na comissão foi uma exigência da categoria durante a audiência.
“Fizemos questão que tivesse aqui no documento do Tribunal de Justiça a comissão com representantes dos dois sindicatos, mais o nosso técnico financeiro, para fazer um estudo orçamentário para ver se vai comportar o nosso percentual ou o abono da prefeitura”, disse.
Ela afirmou ainda que o sindicato continuará defendendo a concessão de percentual incorporado aos salários caso os estudos apontem viabilidade financeira. “É claro que nós vamos lutar para ter o percentual, porque tudo incide”, declarou.
A criação da comissão também foi confirmada pela Prefeitura de Rio Branco. Segundo a gestão municipal, o grupo contará com representantes de diversas secretarias e será responsável por realizar estudos de impacto orçamentário, financeiro e fiscal para avaliar a capacidade do município de implementar futuras medidas voltadas aos servidores.
Avaliação do movimento
Rosana Nascimento também atribuiu o resultado das negociações à mobilização dos trabalhadores que permaneceram na greve até a audiência de conciliação.
“Nem é do jeito da prefeitura, nem é do nosso jeito. Aproveitamos a mediação do desembargador Nonato, que foi muito boa, e fechamos este acordo”, afirmou.
A dirigente ressaltou ainda que o entendimento firmado não contempla integralmente as reivindicações apresentadas pela categoria.
“É claro, gente, que não está na nossa necessidade. Mas dizer que não conquistamos nada, que nadamos e morremos na praia, está comprovado que foi possível pela sua luta. Foi você que decidiu, foi você que conquistou”, declarou.
Ela também afirmou que o sindicato continuará acompanhando as discussões sobre valorização salarial. “A luta não acaba aqui. Estamos permanentemente vigilantes e vamos estar nesta comissão do orçamento para garantir o nosso percentual”, disse.
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