Acre tem a 3ª pior malha rodoviária do Brasil, aponta ranking nacional


O estado do Acre enfrenta severos desafios estruturais que impactam diretamente sua integração econômica e a segurança de quem trafega por suas vias. De acordo com o mais recente levantamento do pilar de Infraestrutura do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o Acre amarga a 25ª posição nacional no quesito qualidade das rodovias. Com uma nota de apenas 2,28 — em uma escala que varia de 1 (Péssimo) a 5 (Ótimo) —, o estado figura na zona de rebaixamento logístico do país.

Os dados, extraídos originalmente do Anuário do Transporte da Confederação Nacional do Transporte (CNT), revelam o tamanho do isolamento regional. A avaliação pondera as condições gerais do pavimento, da sinalização e da geometria da via por toda a extensão pesquisada. O resultado coloca o Acre em uma situação alarmante na Amazônia Ocidental, superando numericamente apenas o Amapá (26º lugar, com nota 2,05) e o vizinho Amazonas, que ocupa a última posição do ranking nacional (27º lugar, com nota 2,00).Acre tem a 3ª pior malha rodoviária do Brasil, aponta ranking nacional

Contraste logístico e o “inverno amazônico”

Enquanto o estado de São Paulo lidera o ranking isolado com nota 4,06, impulsionado por um robusto modelo de concessões e investimentos privados, o Acre patina na falta de manutenção crônica e na dependência de recursos federais. Na Região Norte, o único destaque positivo fica por conta de Rondônia, que conseguiu se posicionar em 11º lugar nacional com nota 3,17, evidenciando que é possível manter a trafegabilidade na região apesar dos desafios climáticos.

Para o setor produtivo local e para os motoristas que dependem diariamente de eixos fundamentais como a BR-364, a nota baixa não causa surpresa, mas oficializa uma realidade dolorosa. O tráfego pesado de carretas que abastecem o estado, somado ao rigoroso período de chuvas da Amazônia (o “inverno amazônico”), deteriora a capa asfáltica e as cabeceiras de pontes com velocidade muito superior à capacidade de resposta e reparo do poder público.

Impactos econômicos

A precariedade das estradas encarece diretamente o valor do frete de alimentos, insumos e combustíveis que chegam à capital, Rio Branco, e aos municípios do interior. Esse custo operacional elevado é repassado ao consumidor final, alimentando a inflação local e minando a competitividade do comércio acreano.

Além do prejuízo financeiro, há o imensurável custo humano: acidentes frequentes, danos severos aos veículos de passeio e atrasos crônicos no transporte de pacientes que buscam tratamento de saúde na capital.



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