De Macapá (AP)
O governador do Amapá, Clécio Luís (União), vetou integralmente o projeto de lei de autoria do deputado estadual Jesus Pontes (PDT) que alterava o nome do Teatro das Bacabeiras para “Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato”. A proposta provocou forte debate no meio cultural amapaense nas últimas semanas, dividindo artistas, produtores culturais, pesquisadores e entidades ligadas à preservação da memória histórica do estado.
O veto foi publicado no Diário Oficial do Estado na última quarta-feira, 28 de maio. No documento, o governo argumenta que a mudança não foi precedida por um processo amplo de escuta pública e consulta aos segmentos culturais e órgãos de patrimônio. O parecer do Conselho Estadual de Política Cultural recomendou a realização de audiências e consultas antes de qualquer decisão definitiva, enquanto notas técnicas da Secretaria de Cultura e da Secretaria de Turismo apontaram a necessidade de aprofundar o debate sobre os impactos simbólicos da alteração.

Homenagem ao dramaturgo dividiu opiniões entre artistas e defensores do patrimônio cultural. Foto: arquivo SelesNafes.com
A proposta de mudança era defendida por coletivos de artistas e familiares do dramaturgo, ator, diretor e produtor cultural Amadeu Lobato, falecido em janeiro deste ano aos 70 anos. Referência das artes cênicas no Amapá, Amadeu dedicou mais de quatro décadas ao teatro e se tornou conhecido principalmente pela criação e direção do espetáculo “Uma Cruz para Jesus”, uma das mais tradicionais encenações da Semana Santa na região Norte, além de atuar na formação de gerações de artistas amapaenses.
Por outro lado, o Instituto Memorial Amapá liderou uma campanha pela manutenção do nome original do teatro. A entidade argumentou que a denominação “Teatro das Bacabeiras” foi resultado de uma construção coletiva ocorrida nos anos 1990 e representa um símbolo da identidade cultural amapaense. Apesar do veto, o governo reconheceu oficialmente a relevância de Amadeu Lobato para a cultura do estado e destacou que não há rejeição à homenagem ao artista, mas sim divergências sobre a alteração do nome de um dos principais equipamentos culturais do Amapá.