Conhece a andiroba? Vídeo de influenciadora do AM extraindo o óleo viraliza


Manaus – Conhecida pelo carisma e por valorizar as raízes amazônicas, a criadora de conteúdo digital Dona Neguinha movimentou as redes sociais ao compartilhar, em detalhes, o minucioso processo artesanal de extração do óleo de andiroba. No vídeo, que exalta o conhecimento tradicional, a influenciadora mostra desde a colheita na floresta até o produto final.

(Foto: Reprodução Instagram @donaneguinh)

O registro começa com Dona Neguinha e seus filhos na mata, recolhendo as sementes que caem naturalmente das árvores e as organizando em paneiros (cestos de palha trançada). A partir daí, a família inicia uma verdadeira prova de paciência e respeito ao tempo da natureza.

Para extrair o óleo puro, a criadora de conteúdo e os filhos revelaram que as castanhas passam por uma longa jornada. No registro, eles mostram que toda a colheita é colocada em uma panela com água e fervida por uma semana inteira em um fogão a lenha. Após o cozimento, as castanhas retornam ao paneiro, onde descansam por mais 15 dias.

Passado o período de descanso, as cascas são cortadas com uma faca para a retirada da massa interna. Em seguida, o filho de Dona Neguinha, soca a massa e a coloca em uma bacia inclinada sob o sol forte do Amazonas. É o calor do sol que faz o óleo escorrer lentamente da massa, sendo colhido e engarrafado por Dona Neguinha.

“Já tô aqui tirando a andirobinha, colocando na garrafinha, pensa em um óleo lindo, limpinho”, destacou a criadora de conteúdo no registro.

A árvore da andiroba tem a madeira resistente e é aproveitada na construção civil, naval e na fabricação de móveis, são as sementes que movem a economia extrativista local.

O óleo e seus subprodutos, como sabonetes e velas artesanais, são facilmente encontrados em feiras livres no Amazonas. No entanto, o insumo já rompeu fronteiras e é comercializado para outras regiões do Brasil e exportado para indústrias de cosméticos na França, Alemanha e Estados Unidos.

Uso medicinal e tradição popular

No cotidiano do interior do Amazonas, a andiroba é considerada uma verdadeira “farmácia natural”. A população local utiliza o óleo para tratamentos como repelente natural, cicatrizante de ferimentos, combate a parasitas (como piolhos), coceiras e até para aliviar o incômodo da “carne crescida” nos olhos. Na medicina popular, é consumido para combater sintomas de gripe, febre, asma, dores de garganta e há quem o utilize para auxiliar no controle da glicose no sangue (diabetes).

Já no setor agropecuário familiar uma comunitária da região do São Tomé do Jacu revelou que utiliza uma mistura de óleo de andiroba com sal como uma alternativa eficaz e natural para evitar a infestação de carrapatos no gado.

Embrapa

A Embrapa Amapá desenvolveu  uma prensa artesanal que facilita a extração do óleo de andiroba. O equipamento, aprimorado pela startup Inova Manejo, não necessita de eletricidade para funcionar e, exige pouco esforço físico para ser operado fazendo com que o processo artesanal feito por Dona Neguinha tenha melhor qualidade, além do ganho de tempo.

O custo do equipamento gira em torno de 4 mil reais, mas pode ser minorado se a madeira de sua estrutura for coletada na própria comunidade.

*Com informações do Embrapa

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