O Acre ocupa a primeira posição no país quando o assunto é experimentação de cigarro entre adolescentes. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 28,9% dos estudantes acreanos de 13 a 17 anos afirmaram já ter fumado cigarro alguma vez na vida, o maior percentual entre todas as unidades da federação.
O índice acreano supera com folga a média nacional, que ficou em 18,5%, e também a média da Região Norte, de 19,6%.
A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. A edição de 2024 abrange mais de 12,3 milhões de estudantes de escolas públicas e privadas de todo o país.
Rio Branco também lidera entre as capitais
O levantamento mostra que a situação se repete na capital acreana.
Entre as capitais brasileiras, Rio Branco apresentou o maior percentual de adolescentes que já fumaram cigarro alguma vez na vida: 25,6%.
O índice é superior ao registrado em Boa Vista (23,4%), Manaus (18,5%), Porto Velho (18,8%) e Belém (13%).
Entre os estudantes da capital acreana, o percentual chega a 26,7% entre as meninas e 24,4% entre os meninos.
Experimentação precoce preocupa
Outro dado que chama atenção é a idade de início do consumo.
Segundo a pesquisa, 15,3% dos estudantes acreanos que já fumaram experimentaram o cigarro pela primeira vez aos 13 anos ou menos, percentual que também está entre os mais elevados do país.
A média nacional para esse indicador é de 9,4%, enquanto a média da Região Norte é de 10,4%.
Entre os adolescentes acreanos:
- 16,1% dos meninos começaram a fumar aos 13 anos ou menos;
- 14,5% das meninas iniciaram nessa faixa etária.
Os dados reforçam que o contato com o cigarro ocorre ainda na infância e início da adolescência para uma parcela significativa dos jovens acreanos.
Escolas públicas concentram índices mais altos
A pesquisa também identificou diferenças entre as redes de ensino.
No Acre, 29,7% dos estudantes de escolas públicas afirmaram já ter fumado alguma vez, percentual quase o dobro do registrado entre alunos de escolas privadas, onde o índice foi de 15,6%.
A mesma tendência aparece no início precoce do consumo.
Entre estudantes da rede pública acreana, 15,8% relataram ter fumado pela primeira vez aos 13 anos ou menos, contra 7,3% na rede privada.
Como os adolescentes conseguem cigarros
A PeNSE também investigou como os adolescentes que fumaram nos 30 dias anteriores à pesquisa conseguiram acesso ao cigarro.
No Acre, a principal forma de obtenção foi a compra direta em estabelecimentos comerciais.
Entre os estudantes fumantes:
- 33,5% compraram cigarro em loja, bar, botequim, padaria ou banca de jornal;
- 21% pediram cigarro a alguém;
- 15% conseguiram de outras formas;
- 9,5% deram dinheiro para outra pessoa comprar;
- 8,4% compraram de vendedores ambulantes;
- 7,5% conseguiram com pessoas mais velhas;
- 4,5% pegaram escondido em casa;
- 0,3% compraram pela internet ou aplicativos.
Os dados indicam que, apesar da proibição legal da venda de cigarros para menores de idade, uma parcela expressiva dos adolescentes ainda consegue adquirir o produto diretamente em pontos de venda.