“Pagou R$ 21 milhões, foi à Espanha e deixou a gente se ferrando”


O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) afirmou que o ex-secretário de Educação, Amauri Monge, tomou “decisões equivocadas” ao realizar o pagamento na ordem de R$ 21 milhões de um contrato para a aquisição de livros de didáticos, no início deste ano.

 

Ele pagou R$ 21 milhões em livro, foi para a Espanha e deixou a gente aqui se ferrando para poder arrumar as escolas

Segundo ele, o pagamento foi feito em meio a um cenário caótico de necessidade de pagamento a fornecedores da Educação. O prefeito afirmou que havia necessidade de pagar empreiteiras, aquisição de matéria de limpeza e até alimentação.

 

“Essa questão mexeu muito comigo, fiquei muito irritado. Porque além de ter pagado os R$ 21 milhões, na véspera da volta às aulas, o cara estava na Espanha”, disse o prefeito em coletiva à imprensa nesta quinta-feira (28), se referindo ao período em que o ex-secretário saiu de férias poucos dias após assumir a Pasta.

 

“Ele pagou R$ 21 milhões em livro, foi para a Espanha e deixou a gente aqui se ferrando para poder arrumar as escolas, para poder voltar às aulas”, acrescentou.

 

A declaração foi dada em meio à repercussão de uma suposta de irregularidades na compra de livros didáticos, que ultrapassam R$ 80 milhões na Pasta. A denúncia foi feita pelo prefeito às policiais e órgãos de controle.

 

Segundo ele, há suspeitas de uso de conteúdo produzido por inteligência artificial, sobrepreço e até compra acima do necessário. Dos R$ 80 milhões previstos, foram pagos os R$ 21 milhões citados.

 

“O Amauri é um cara muito inteligente, entende muito de educação. […] Só quero entender porque tomou algumas decisões que, ao meu ver, trato como decisões equivocadas, afirmou. 

 

Abilio revelou ainda que o pagamento gerou uma discussão entre os dois, mas que logo foi sanada. Amauri deixou a Educação no fim de março sob a alegação que se dedicaria a campanha eleitoral do ex-secretário de Educação de Mato Grosso, Alan Porto (Republicanos).

 

Sem irregularidades

 

À imprensa nesta quinta, o ex-secretário justificou que todas as aquisições da Educação passaram pelos trâmites legais da administração municipal, incluindo análise da Secretaria Adjunta Especial de Licitações e Contratos (Saelc) e da Procuradoria-Geral do Município.

 

“Não existe contrato de R$ 80 milhões. E volto a dizer, nada é comprado apenas pela Secretaria de Educação”, disse.

 

Segundo ele, a Pasta vive problemas financeiros que provocaram atrasos com fornecedores, bloqueios de veículos e dificuldades operacionais na rede municipal.

 

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