Comissão do Senado aprova projeto que proíbe publicidade em jogos eletrônicos para crianças



Comissão do Senado aprova projeto que proíbe publicidade em jogos eletrônicos para crianças
Free Fire, battle royale mobile da empresa Garena, será a plataforma usada pelos participantes – Divulgação/IEL Roraima

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou, nesta quarta-feira, 27, um projeto de lei que proíbe publicidade comercial em jogos eletrônicos direcionados a crianças menores de 12 anos. Além disso, o texto também estabelece restrições para anúncios considerados abusivos em jogos voltados a adolescentes. Agora, a proposta segue para análise da Comissão de Educação (CE).

O PL 3.518/2025, é de autoria do senador Confúcio Moura (MDB-RO). Ele recebeu um substitutivo da relatora e presidente da comissão, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que altera o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).

Conforme o texto aprovado, ficam proibidos anúncios exibidos antes, durante ou após as partidas em jogos destinados ao público infantil. Da mesma forma, a vedação inclui publicidade integrada à narrativa, à interface ou à mecânica do jogo, além de conteúdos que ofereçam recompensas em troca da visualização de anúncios.

Por outro lado, o projeto permite campanhas de utilidade pública, comunicações informativas e a identificação institucional de desenvolvedores ou distribuidores. Isso desde que não haja apelo comercial direto.

Adolescentes

Já para os adolescentes, a proposta não proíbe totalmente a publicidade. No entanto, estabelece limites para evitar práticas abusivas, como anúncios disfarçados de conteúdo do jogo, recompensas condicionadas à interação obrigatória com publicidade e estratégias que explorem vulnerabilidades emocionais ou psicológicas.

Além disso, o texto também proíbe mecanismos que incentivem o consumo compulsivo, como sensação artificial de urgência, escassez simulada e propagandas incompatíveis com a classificação indicativa dos jogos.

Segundo Damares Alves, o ECA Digital avançou na proteção de crianças e adolescentes contra publicidade abusiva, mas ainda havia lacunas específicas relacionadas aos jogos eletrônicos. A senadora destacou que crianças possuem “hipervulnerabilidade acentuada e discernimento mercadológico reduzido”, o que justificaria regras mais rígidas.

A relatora também afirmou que manteve a possibilidade de publicidade para maiores de 12 anos para evitar que jogos gratuitos deixem de existir. De acordo com ela, empresas do setor alegam que a redução das receitas publicitárias poderia resultar na cobrança pelo acesso aos jogos.

Fonte: Agência Senado



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