Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Mais de 30 espaços de visitação integrados, que unem história, lazer e gastronomia, passam a compor o mais novo cenário cultural de Macapá. O Governo do Amapá apresentou à imprensa, nesta quinta-feira (28), as instalações do Parque Residência. O complexo, localizado na Rua Cândido Mendes, no Centro, abre as portas oficialmente para o público nesta sexta-feira (29), transformando a antiga Residência Oficial dos Governadores em um polo de cultura, memória e economia criativa.
Ocupando uma área de aproximadamente 9 mil metros quadrados próxima à orla da cidade, o local serviu de morada e gabinete para 21 dos 22 governadores do Amapá. A única exceção é o atual gestor, Clécio Luís, que optou por não residir no local para convertê-lo em um espaço público, devolvendo à sociedade um patrimônio que permaneceu fechado por cerca de 10 anos.

Espaço histórico será aberto ao público após quase uma década fechado. Fotos: Rodrigo Índio/ SelesNafes.com

Galeria com as fotos de todos os governadores
Mais do que uma obra de requalificação urbana, a entrega do Parque Residência cumpre uma meta do Plano de Governo focada na preservação da memória coletiva. O complexo foi projetado para oferecer uma experiência imersiva através de sua arquitetura de muros baixos e de sua carga histórica.
O governador Clécio Luís destacou o valor sentimental e histórico que as paredes do casarão carregam, relembrando a relação de proximidade que a população mantinha com o local no passado.

Governador Clécio: Parque transforma antiga residência dos governadores em polo cultural
“Esta casa vai contar histórias de decisões importantes, momentos de crise, almoços e jantares com autoridades. Era uma cidade que permitia aos governadores um lazer integrado com o resto da população. Da minha geração para frente, nós vínhamos o [ex-governador Aníbal] Barcelos jogando tênis ou nadando na piscina, as pessoas passavam e gritavam: ‘Comandante!’”, relembrou o governador.
Clécio ressaltou ainda que o parque funcionará como um organismo vivo de resgate histórico
“Muitas histórias nós não sabemos ainda e serão contadas a partir do momento em que essas portas forem abertas. Pessoas virão para contar o que viveram aqui ou trazer lembranças de seus antepassados. Isso vai se transformar em informação histórica, em memória afetiva e em amapalidade”, concluiu.

Exposições resgatam histórias afetivas e políticas do Amapá
Pesquisa acadêmica dá vida à exposição “Quando a Casa é Território
Para traduzir as décadas de história do local em patrimônio público, o Centro de Memória, Documentação Histórica e Arquivo da Universidade Federal do Amapá (CEMEDHARQ/Unifap) realizou um intenso trabalho de pesquisa que durou um ano.
A equipe multidisciplinar, composta por mais de 13 pesquisadores entre historiadores, arqueólogos, arquitetos e bolsistas, realizou dezenas de entrevistas para montar as exposições do complexo, que conta com seis salas no total.
A professora Elke Rocha, coordenadora do Centro de Memória da Unifap, explicou o conceito da exposição principal, intitulada “Quando a casa é território: remoções e retornos”.
“Tentamos fazer uma galeria dos governadores um pouco mais tátil, menos rígida. Buscamos ver como essa casa era habitada, como foi vivida e como esses governadores criaram memórias afetivas na vida de seus filhos. É necessário falar da história oficial, de que aqui era um local de poder, mas hoje nós retornamos essa casa para a população”, afirmou a professora.

professora Elke Rocha: galeria tátil
O Parque Residência foi concebido para abrigar sua vasta variedade de ambientes de forma fluida. Entre os principais atrativos está a exposição permanente do Avião Bandeirante EMB-110. Incorporado ao serviço aéreo do então Território Federal do Amapá em 1981, o turboélice bimotor produzido pela EMBRAER foi adquirido por doação através de uma articulação institucional junto ao Ministério do Interior, representado por Mario Andreazza, e pelo então governador Aníbal Barcelos. Com 14 metros de envergadura e 22 metros de fuselagem, a aeronave de versão executiva possuía o prefixo FDL (Fox Delta Lima) e transportava dois pilotos e sete passageiros. O avião foi peça fundamental em missões administrativas e de apoio à saúde no interior do estado até realizar seu último voo, em 1997.

Avião Bandeirante EMB-110 será um dos principais atrativos do parque
Além do resgate da aviação, o complexo oferece opções que vão muito além do resgate histórico. Em toda a sua extensão, o público poderá desfrutar de uma ampla galeria de arte, um anfiteatro para apresentações culturais e seis salas de exposições com acervos que remontam às origens do estado até os fatos mais recentes. Pensado para toda a família, o complexo conta ainda com uma praça de alimentação voltada à gastronomia regional, ambientes arborizados de convivência, playground para o público infantil e áreas exclusivas voltadas para o empreendedorismo local e o turismo pedagógico.
Vitrine para os municípios e fomento aos produtores locais
Além do resgate cultural, o parque surge como um motor para a economia criativa e o turismo urbano, oferecendo oportunidades para artesãos, gastrônomos e artistas de todo o estado.
Um exemplo prático dessa oportunidade é o espaço montado pela empreendedora Larissa Guimarães, do Empório Chopp da Vovó. O negócio familiar, que começou de forma artesanal há 32 anos vendendo de porta em porta, hoje ganha uma nova formatação dentro do parque, funcionando também como uma vitrine para a produção de diferentes municípios amapaenses.

Larissa Guimarães, do Empório Chopp da Vovó: produtos de vários municípios
“Estamos trazendo um conceito de chopp geladinho gourmet limpo, livre de liga neutra e corantes, respeitando o processo artesanal. Mas a nossa maior identidade no Impório será agregar o valor dos produtos da nossa terra”, explicou Larissa.
No espaço, os visitantes poderão encontrar desde o tradicional chopp artesanal até iguarias e artesanatos vindos de várias regiões do Amapá. “Temos produtos de Mazagão, Oiapoque, Serra do Navio… Desde o trabalho do Seu Vicente ao Rafael Jansen, do Oiapoque. O público vai encontrar molhos, pimentas, biscoitos, farofas, cachaças e souvenirs. Temos até o vinho do nosso antigo governador. Estamos muito felizes em estar dentro de um espaço cultural que todos tinham muita curiosidade de conhecer”, celebrou a empreendedora.

Ciclo do manganês: a história do Amapá e de seus trabalhadores em exposição

Parque terá ambientes voltados ao turismo pedagógico e empreendedorismo.

Complexo reúne artesanato, culinária e produtos de municípios do estado

Espaço contará com restaurante, anfiteatro, galeria de arte e salas de exposição

Antigo símbolo do poder político ganha acesso livre para a população

Estrutura foi pensada para integrar convivência, cultura e áreas verdes

Marabaixo e a cultura negra em destaque no Parque Residência

Parque transforma antiga residência dos governadores em polo cultural