
O comandante da 22ª Brigada de Infantaria de Selva, general Roberto Valde Almeida, afirmou nesta quarta-feira, 27, no programa ‘LuizMeloEntrevista’, (Diário FM 90,9), que o Exército Brasileiro intensificou as ações de monitoramento e combate aos ilícitos transfronteiriços na região do Oiapoque, em parceria com forças da França, por meio da Operação Vigia.
Durante a conversa, o comandante detalhou as atividades realizadas em conjunto com militares da Guiana Francesa e destacou a importância estratégica da faixa de fronteira entre o Amapá e o território ultramarino francês. Segundo o general, a Operação Vigia ocorre de forma permanente na fronteira e conta com ações coordenadas entre o Exército Brasileiro, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ibama e ICMBio.
Ele ressaltou que o Exército possui poder de polícia na faixa de fronteira, especialmente em áreas remotas onde, muitas vezes, a presença militar representa a única estrutura permanente do Estado brasileiro.
Mudança no comando militar
Outro tema abordado foi a recente mudança na nomenclatura do antigo Comando Militar do Norte, oficializada por decreto presidencial publicado neste mês de maio. A estrutura passou a se chamar Comando Militar da Amazônia Oriental, abrangendo os estados do Amapá, Pará, Maranhão e a região norte do Tocantins.
De acordo com o general Almeida, a alteração busca reforçar a identidade histórica, geográfica e operacional da área estratégica: “O grande Comando Militar da Amazônia foi dividido em 2013. Agora, essa redesignação procura refletir melhor a realidade da nossa atuação militar na Amazônia Oriental”, afirmou.
A área sob responsabilidade do novo comando possui cerca de dois mil quilômetros de fronteira internacional, incluindo limites com a Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Operação Três Saltos
Executada entre os dias 19 e 23 de maio, em uma região remota da fronteira franco-brasileira, a missão alcançou a Cachoeira de Três Saltos, localizada a aproximadamente 275 quilômetros de Cleveland do Norte, após deslocamento fluvial pelo rio Oiapoque. O general contou que uma equipe composta por 12 militares instalou pela primeira vez uma base de apoio permanente no local e hasteou a bandeira do Brasil na área considerada estratégica para o controle da fronteira.
“Foi uma operação marcante. Nossos militares enfrentaram todas as dificuldades da região para estabelecer essa base em um ponto extremamente afastado”, destacou. Novas ações deverão ocorrer no local durante a Operação Ágata, prevista para o meio do ano.
Participação em projetos educacionais
O general também comentou a participação da brigada em uma atividade promovida pelo projeto Leva Ciência, que reuniu estudantes e o engenheiro Jorge Gable, profissional com atuação ligada à Nasa. A programação ocorreu dentro das instalações militares e contou com mais de 60 lançamentos de foguetes desenvolvidos pelos próprios alunos.
Serviço militar feminino
Outro assunto abordado foi a incorporação de mulheres ao serviço militar inicial no Exército Brasileiro. O comandante explicou que o processo seletivo começou no ano passado e que, em 2026, ocorreram as primeiras incorporações femininas na área do Comando Militar da Amazônia Oriental, especialmente em unidades de Belém.
Segundo ele, o Exército passou a contar oficialmente com mulheres em todos os níveis da carreira militar, do soldado recruta ao oficialato-general. Citou ainda a promoção da médica militar Cláudia ao posto de oficial-general, considerada um marco histórico para a presença feminina na força terrestre. “Hoje temos mulheres em todos os postos e graduações do Exército Brasileiro”, finalizou.
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