O Relatório Anual do Desmatamento (RAD) divulgado pela rede Mapbiomas nesta quarta-feira (27), com base em alertas emitidos em 2025, revela que a área desmatada em Goiás caiu 44% no ano passado em relação ao ano anterior.
No comparativo com 2023, a redução é ainda maior: 84,1%.
Em números absolutos, foram 10.983 hectares de área em que houve supressão de vegetação no território goiano. Importante dizer que o dado inclui não só o desmatamento ilegal, como também as supressões previstas e autorizadas pelo Código Florestal (que é uma legislação federal).
O relatório pontua que Goiás é um dos estados em que há mais sobreposição de ações de fiscalização sobre a aréa desmatada: 65,2%.

No somatório de toda a área desmatada em Goiás entre 2019 e 2025, em 71,3% havia autorização de desmatamento ou houve ação de fiscalização (com multa e embargo).
Na atual edição do RAD, Goiás ficou na 15ª posição no ranking de desmatamento os entre estados – uma abaixo da obtida em 2024.
Avaliação do governo
A secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, atribui a evolução de Goiás nesse indicador ao sucesso da estratégia adotada pelo governo a partir de 2019.
“O setor produtivo é o nosso maior aliado na busca pelo objetivo de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Apostamos no diálogo e fomos bem-sucedidos. Existe hoje, entre todos nós, o consenso que é possível se desenvolver de forma sustentável, sem comprometer a biodiversidade”, afirma.
Em setembro de 2023, o então governador Ronaldo Caiado e a titular da Semad assinaram, com representantes do setor produtivo, um pacto em que todos assumiram o compromisso de acabar com a supressão de vegetação feita à margem da lei até o fim da década.
Em paralelo, o governo abriu concurso para Semad, deu posse a mais de 100 novos servidores e investiu na tecnologia usada em monitoramento remoto, que se soma ao trabalho de campo realizado por fiscais.
Também lançou um programa que remunera produtores rurais que, em vez de usar a terra para atividades como agricultura e pecuária, optam por preservar a vegetação. Trata-se do programa PSA Cerrado em Pé, cuja implantação começou em municípios da região nordeste do Estado. O investimento foi de mais de R$ 17 milhões.
Transparência
O RAD 2025 também avaliou os estados quanto: 1) à disponibilidade dos dados sobre ações de combate ao desmatamento (autuações e embargos); e 2) quanto ao formato dos dados disponibilizados.
No primeiro critério, Goiás obteve a pontuação máxima por ter portal aberto na internet com dados atualizados e em formato de planilha manipulável, ou com dados georreferenciados (como polígono, CAR ou coordenadas).
No segundo critério, Goiás também obteve nota máxima por disponibilizar dados com classificação que permite identificar quando se trata de uma autuação ou embargo relacionado a desmatamento, bem como data de lavratura e a referência geográfica.
Outros números do RAD 2025
Segundo o Mapbiomas, também conseguiram reduzir o desmatamento no ano passado Rio Grande do Sul (-73%), Alagoas (-68%), Sergipe (-63%), Acre (-44%), Pará (-40%), Tocantins (-33%), Ceará (-32%), Maranhão (-29%), Roraima (-25%), Rio Grande do Norte (-22%), Rio de Janeiro (-22%), Mato Grosso do Sul (-20%), Bahia (-17%), Amazonas (-15%), Paraíba (-9%) e Pernambuco (-5%).
Na outra ponta, as unidades da Federação em que houve maior aumento foram São Paulo (+67%), Paraná (+59%) e Espírito Santo (+48%).
No Cerrado como um todo, a redução do desmatamento foi de 16,9%. A mesma tendência se observou em todos os outros biomas, com destaque para o Pantanal (-48,4%).
Em números gerais, a área desmatada no Brasil caiu 20,6%, passando de 1,2 milhão para 984 mil hectares.
Pela primeira vez, o desmatamento no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um ano.