Professores da rede municipal de Rio Branco realizaram manifestação nesta quarta-feira (27) em frente ao Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), após decisão judicial que determinou o fim da greve da categoria. O ato reuniu integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac) e do Sindicato dos Professores, que contestaram a decisão e cobraram participação do tribunal nas negociações com a Prefeitura.
A presidente do Sinteac, Rosana Nascimento, afirmou que a Prefeitura prestou informações falsas ao tribunal para obter a suspensão do movimento. “A Prefeitura mentiu para o Tribunal de Justiça suspender a nossa greve sem ouvir a categoria, sem ouvir a nossa pauta”, disse. Ela ressaltou que o conflito não se restringe ao ano corrente. “A negociação não é só desse ano, essa greve vem desde 2023, isso tem que ser considerado. Dizer que está negociando não é [estar] negociando.”
Rosana também citou perdas salariais acumuladas pela categoria como justificativa para a continuidade das reivindicações. Segundo ela, os professores acumulam defasagem superior a 26% no salário e nenhuma proposta concreta foi apresentada pela gestão municipal até o momento.
A presidente do Sindicato dos Professores, Alcilene Gurgel, defendeu a legalidade do movimento e pediu que o TJAC atue como mediador entre os trabalhadores e a Prefeitura. “O Tribunal de Justiça tem que nos ouvir e tem que intermediar. O movimento é justo e está sendo feito dentro da legalidade”, afirmou. Ela questionou os argumentos usados para decretar a ilegalidade da greve, apontando que mais de 30% das escolas permanecem paralisadas.
Alcilene indicou que as paralisações devem prosseguir independentemente de eventuais decisões sindicais. “O movimento tende a continuar, mesmo que os sindicatos tenham que sair. As pessoas vão cuidar de fazer esse movimento andar”, declarou.