Unidade instalada em Igarapé do Meio vai triplicar a capacidade de produção, beneficiar dezenas de famílias rurais e fortalecer a economia da Baixada Maranhense
A região da Baixada Maranhense passou a contar, a partir desta terça-feira (26), com a primeira agroindústria de beneficiamento de arroz do Maranhão voltada exclusivamente para agricultores familiares. A unidade foi inaugurada na comunidade Vila Diamante, no município de Igarapé do Meio, e deve ampliar a produção de arroz, fortalecer a economia rural e gerar mais renda para pequenos produtores da região.
A agroindústria integra o Projeto Arroz Diamante, iniciado em 2023 pela Cooperativa de Produção Agropecuária dos Produtores da Microrregião da Baixada Maranhense (Coopervid), em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a prefeitura municipal e a mineradora Vale.

“O objetivo da agroindústria é estruturar toda a cadeia produtiva do arroz, da produção ao beneficiamento, gerando mais valor ao produto e ampliando oportunidades econômicas para as famílias. Mais do que uma nova estrutura, o empreendimento consolida um processo coletivo de transformação social, iniciado com a organização comunitária, assistência técnica e o acesso às tecnologias agrícolas”, afirmou Eloiso Araujo, diretor de gestão de territórios Norte da Vale.
Com a nova estrutura, a capacidade de beneficiamento do arroz passará das atuais 180 toneladas para até 600 toneladas por ano, triplicando a produção comunitária. O espaço possui 357 metros quadrados e realizará etapas como secagem, descasque e empacotamento dos grãos, permitindo que os agricultores comercializem o produto já beneficiado e com maior valor agregado.
Mais de 50 famílias agricultoras dos municípios de Igarapé do Meio, Monção e Santa Rita serão beneficiadas diretamente pelo projeto. Ao todo, cerca de 190 produtores participam da cooperativa ligada à iniciativa.
Além da construção da agroindústria, o projeto também investiu em assistência técnica, mecanização e capacitação dos agricultores. Antes do início das ações, a produtividade média das lavouras era de aproximadamente 1,2 tonelada por hectare. Atualmente, a produção varia entre 4,5 e 5 toneladas por hectare, resultado atribuído ao uso de novas tecnologias e sementes adaptadas às condições da região.
Parte da produção deverá abastecer programas públicos, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), fortalecendo a agricultura familiar e ampliando o fornecimento de alimentos para escolas e instituições sociais.
O projeto também implantou um campo comunitário de produção de sementes, permitindo que os próprios agricultores produzam parte dos insumos utilizados nas plantações. A iniciativa reduz custos, amplia a autonomia das famílias e contribui para a sustentabilidade do sistema produtivo.
Além do impacto econômico, lideranças locais afirmam que o Projeto Arroz Diamante também fortaleceu a organização comunitária e impulsionou ações voltadas à segurança alimentar e ao desenvolvimento sustentável da região.
“Esse projeto demonstrou como a combinação entre organização social, tecnologia e parcerias estratégicas pode transformar a realidade no campo, gerando renda, oportunidades e desenvolvimento sustentável para as comunidades”, destacou Noé Maciel, líder comunitário da Vila Diamante.