A suspeita do caso de moko da bananeira em Feijó vinha sendo tratada com extremo sigilo dentro do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf). A coleta e envio do material para Goiás aconteceram ainda no mês de abril. O laboratório goiano, credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), fez a investigação, cujo resultado estava sendo aguardado com preocupação pelos técnicos e pela direção do Idaf.
A partir do resultado positivo para a infecção bacteriana, confirmado nesta segunda-feira (25), o Idaf precisa acelerar uma série de ações protocolares que o instituto já havia iniciado antes mesmo de ser registrado o resultado da investigação. Uma das medidas, por exemplo, é a eliminação das plantas na propriedade foco da doença, além das plantas nas propriedades do entorno. Desde o registro do foco, os técnicos do Idaf monitoram o comportamento dos bananais em uma raio de 5 Km, a partir da propriedade-foco.

Além disso, existe a possibilidade de instauração de um vazio sanitário que varia de dois anos a dois anos e meio. Vazio sanitário é um período em que os produtores precisam ficar sem manejo de uma determinada cultura agrícola, por questões estritamente sanitárias.
Não estão previstas barreiras sanitárias, por enquanto. Existe uma preocupação específica com a região de Acrelândia, a maior produtora de banana do Acre. “Barreira em Acrelândia só a do Posto da Tucandeira mesmo”, informa o Idaf. A doença é extremamente letal para todas as espécies de banana. “O impacto representa ameaça direta à agricultura familiar e à renda de produtores que dependem da cultura no Acre”, afirmou a assessoria do Idaf.
A orientação do Idaf é: para qualquer desconfiança de problemas no bananal, o produtor deve procurar o escritório do Idaf mais próximo e informar os técnicos.
Outro caso do moko da bananeira também foi registrado e neutralizado no município de Rodrigues Alves.
Governo do Acre não confirma adoção de medidas para cobrir prejuízos
O Governo do Acre ainda não confirmou se será possível adotar alguma medida de socorro para cobrir os custos dos produtores que tiveram os bananais atingidos pela doença. A produção de banana no Acre é uma cultura que está sob responsabilidade do agricultor de base familiar. Não há capital disponível para custear seguro agrícola.
Caso o problema aumente em dimensão, é preciso avaliar alguma forma de apoio ao agricultor que terá o bananal praticamente eliminado e sem poder fazer o replantio por até 2,5 anos em função da possível decretação de vazio sanitário (ainda não confirmado).
Por telefone, o presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre, Francisco Thum, lembrou que, na região de Tarauacá e imediações dos rios Muru, Crôa e Liberdade, a cultura da banana é muito disseminada entre os ribeirinhos. “Ali, há grande produção de banana. Eles comercializam muito. É preciso ainda avaliar com mais exatidão a extensão do dano para se pensar uma reação de apoio, que precisará ser dado a quem tiver impacto direto, mas como isso se dará, precisa ser avaliado melhor”, ponderou.