O médico e apresentador Fabrício Lemos recebeu no programa “Médico 24 Horas”, exibido nesta segunda-feira (25) na capa do ac24horas e nas redes sociais do jornal, o pediatra e presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC), Guilherme Pulici. Em pauta, os desafios enfrentados pela saúde pública acreana, a pressão sobre profissionais nas unidades de atendimento e o aumento das doenças respiratórias neste período do ano.
Logo no início da entrevista, Pulici afirmou que uma das maiores preocupações atuais da categoria é a superlotação nas UPAs e hospitais, agravada pelo crescimento da demanda sem aumento proporcional no número de profissionais. Segundo ele, o problema acaba recaindo diretamente sobre médicos e equipes de plantão.
“A população acaba descontando nos profissionais que estão ali atendendo. O médico não tem como acelerar atendimento para dar conta dessa demanda enorme. O que precisa é cobrar mais contratação de profissionais”, afirmou.
O presidente do Sindmed-AC também fez um alerta sobre a pressão sofrida por médicos dentro das unidades de saúde. Segundo ele, há casos em que profissionais são cobrados para reduzir o tempo das consultas e aumentar a produtividade, situação que, na avaliação dele, compromete a qualidade da assistência. “Nós não podemos admitir isso, porque pode comprometer a qualidade do diagnóstico e do tratamento”, declarou.
Durante a conversa, Fabrício Lemos destacou que muitos pacientes desconhecem os bastidores da rotina médica e acabam responsabilizando o profissional pelo atendimento rápido. “Às vezes o médico não tem nem cinco minutos para atender porque existe uma pressão enorme por números”, comentou.
Pulici respondeu dizendo que orienta os médicos a não sacrificar a qualidade da consulta diante da pressão administrativa. “Cada paciente é um caso. Existem situações simples e outras que exigem mais tempo”, ressaltou.
Na parte da entrevista voltada à pediatria e às doenças respiratórias, o médico chamou atenção para o risco de contaminação em ambientes hospitalares lotados. Segundo ele, muitas pessoas procuram UPAs em situações que poderiam ser resolvidas na atenção básica, aumentando o risco de transmissão de vírus.
“Você chega com uma doença e pode sair com outras. Não é só Covid que transmite. Existem vários vírus circulando ao mesmo tempo”, alertou, ao citar influenza, rinovírus, metapneumovírus e outros agentes respiratórios.