Um movimento liderado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Superintendência Regional do Trabalho e o movimento VAT (Vida Além do Trabalho) realizou, nesta sexta-feira, 22, uma ação de conscientização em frente à empresa Contax, em Rio Branco, em defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho no Brasil.
Durante a mobilização acompanhada pelo ac24horas Play, representantes das entidades distribuíram panfletos e conversaram com trabalhadores sobre as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam da redução da carga horária semanal sem diminuição salarial.
O superintendente regional do Trabalho no Acre, Leonardo Lani, explicou que o Ministério do Trabalho, por meio do ministro Luiz Marinho, apoia as PECs 221/2019 e 8/2025, que preveem a redução gradual da jornada de trabalho para 36 horas semanais ao longo dos próximos dez anos. Segundo ele, a proposta prevê, inicialmente, a redução imediata para 40 horas semanais, sem compensação de horas e sem redução salarial.
“Dos 47 milhões de trabalhadores celetistas, essa medida beneficiaria diretamente cerca de 8 milhões que atuam na escala 6×1 e outros 37 milhões que hoje trabalham 44 horas semanais. A proposta garante ao menos duas folgas por semana e beneficia principalmente mulheres e jovens trabalhadores”, afirmou.
Lani destacou ainda que a mobilização em frente à Contax teve como foco a juventude trabalhadora, que, segundo ele, muitas vezes deixa de estudar ou se preparar profissionalmente devido à jornada considerada excessiva.
“A gente conclama a sociedade a apoiar essa medida, porque ela pode gerar mais bem-estar ao trabalhador, maior produtividade para as empresas e ainda estimular a criação de empregos. Países como França, Itália e Austrália já adotam jornadas menores”, declarou.
A coordenadora do movimento VAT no Acre, Raquel Albuquerque, afirmou que a mobilização busca conscientizar os trabalhadores acreanos sobre os direitos defendidos pelo movimento e alertou para a disseminação de informações falsas sobre a proposta.
“Tem surgido muita fake news sobre o tema. Transformaram uma PEC em várias propostas falsas para confundir os trabalhadores e colocá-los contra os próprios direitos. Nossa luta é pela redução para 40 horas semanais, sem redução salarial e sem reposição de horas”, disse.
Raquel também afirmou que o movimento recebeu denúncias de empresas que teriam anunciado adesão a modelos reduzidos de jornada, mas estariam exigindo compensação das horas não trabalhadas.
“Se o trabalhador está sendo obrigado a repor essas horas, isso não corresponde ao que defendemos. A proposta prevê redução da jornada sem compensação”, ressaltou.
A coordenadora explicou ainda que a PEC ainda está em tramitação no Congresso Nacional e que, portanto, não existe obrigatoriedade legal para adoção imediata do novo modelo pelas empresas.
“A lei ainda não foi aprovada. Então, é preciso analisar como algumas empresas estão aplicando essas mudanças. O que questionamos é se realmente estão cumprindo as 40 horas semanais previstas na proposta”, concluiu.