Médica acusada de furto na C&A de Goiânia denuncia racismo


A médica Érica Lopes Castilho denunciou à Polícia Civil ter sofrido racismo em um shopping de Goiânia. No boletim de ocorrência, ela alega que foi acusada de furto dentro do centro de compras em 13 de maio, por volta das 17h14, após comprar uma blusa branca de manga longa na C&A por R$ 179,99 e usar o caixa de autoatendimento.

Segundo ela, após deixar o local, foi abordada por um funcionário da loja quando já caminhava em outro comércio. O homem teria insinuado que ela pegou o produto sem pagar. Apesar de apresentar o comprovante fiscal da compra imediatamente, a situação continuou e causou constrangimento diante de outras pessoas, narrou a médica.

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Consta na denúncia que ela se sentiu humilhada e exposta, tendo a abordagem associada ao fato de ser preta. A ocorrência foi registrada na Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Deacri), em Goiânia, e Érica já disse que pretende representar criminalmente contra os envolvidos por racismo, calúnia e constrangimento ilegal.

Observada

Ao Mais Goiás, a médica detalhou a situação constrangedora. Já na loja, ela informou que a supervisora do estabelecimento disse que o problema aconteceu, pois não foi emitida nota fiscal física. “Outras pessoas utilizaram o caixa de autoatendimento, todas emitiram nota fiscal física? As que não emitiram também foram acusadas de furto?”, questionou retoricamente.

Funcionária será indenizada após sofrer racismo no trabalho (Foto: Pixabay)
(Foto: Pixabay)

Um segurança do shopping acompanhou a situação à paisana e se apresentou quando houve a abordagem. “Ele disse que nessas situações o shopping é imparcial, que ele estava para garantir que nenhuma das partes se exaltasse. Após ser esclarecido que não havia praticado nenhum furto, ele perguntou se eu queria ir para algum lugar mais confortável. Foi quando fui para a ouvidoria.”

Érica também revelou que, no dia seguinte, a gerente da loja ligou para ela, momento em que novamente indagou por que seria considerada suspeita, uma vez que aguardou na fila para efetivar o pagamento e utilizou o caixa de autoatendimento livre. “Ações que quem fosse furtar algo não faria.” A vítima, inclusive, suspeita que era observada enquanto olhava as peças. Ela afirma que ficou “extremamente abalada emocionalmente”.

“Faço acompanhamento psicológico por outros motivos, mas entrei em contato com a minha psicóloga para buscar apoio nessa situação, pois eu fiquei diversas vezes querendo entender o que de tão grave havia feito para que eu não pudesse fazer uma simples compra na loja e ser acusada dessa maneira. Receio receber esse mesmo tipo de comportamento em outros lugares”, continuou. A médica diz que atua como plantonista na região do Jardim América, então tem pacientes que moram na região e frequentam o shopping. “Fiquei pensando que alguém conhecido pudesse presenciar aquele momento e tirar conclusões precipitadas sobre o ocorrido.”

Advogada de Érica

Advogada de Érica, Maria Eduarda Lôbo disse, em nota, que o “episódio revela possível abordagem racializada contra uma mulher negra em espaço de consumo”. Segundo ela, já foram requeridas a preservação das imagens de segurança e a apuração dos fatos junto à Polícia Civil. “As medidas cabíveis serão adotadas nas esferas cível e criminal, diante da falsa imputação de crime, da exposição pública e da violação à dignidade da vítima.”

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Resposta

O Mais Goiás procurou a C&A para comentar a denúncia. Até o fechamento não houve retorno. Essa matéria poderá ser atualizada.

Nota completa da defesa de Érica Castilho:

“A defesa de Érica Lopes Castilho informa que acompanha o caso envolvendo a abordagem vexatória e discriminatória sofrida pela cliente no dia 13 de maio de 2026, no Goiânia Shopping, após compra regular realizada na loja C&A.

Segundo a vítima, mesmo após apresentar comprovante de pagamento, foi tratada como suspeita de furto em ambiente público, com acompanhamento da segurança do shopping, situação que lhe causou grave constrangimento e abalo emocional.

A defesa entende que o episódio revela possível abordagem racializada contra uma mulher negra em espaço de consumo. Por isso, já foram requeridas a preservação das imagens de segurança e a apuração dos fatos perante a Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância – DEACRI.

As medidas cabíveis serão adotadas nas esferas cível e criminal, diante da falsa imputação de crime, da exposição pública e da violação à dignidade da vítima.

Maria Eduarda Lôbo
Advogada | OAB/GO nº 74.579



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