Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Quem passa pelo cruzamento da Rua Odilardo Silva com a Avenida Feliciano Coelho, no bairro do Trem, área central de Macapá, encontra um cenário de completo descaso. O prédio que outrora abrigou a Advocacia-Geral da União (AGU) hoje resume-se a uma carcaça de concreto tomada pelo mato alto, lixo e escuridão. Vizinho à Escola Estadual Dr. Alexandre Vaz Tavares, o local virou sinônimo de medo para estudantes e moradores da região.
A estrutura está completamente depredada, pois portas, janelas e até o telhado foram furtados ao longo dos anos. Durante o dia, o acúmulo de lixo e a vegetação fecham as calçadas e criam o ambiente perfeito para a proliferação de roedores, insetos e do mosquito Aedes aegypti. À noite, a falta de iluminação transforma o perímetro em um “breu”, alimentando a sensação de insegurança de quem precisa transitar por ali.

Moradores afirmam que o abandono do imóvel começou muito antes do prazo informado por órgãos federais. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.com
O histórico do prédio é marcado por um verdadeiro “jogo de empurra” institucional e por uma contagem de tempo que simplesmente não bate. Enquanto os órgãos públicos tratam o problema como algo mais recente, quem convive com o lixo e o medo relata uma realidade muito mais antiga e dolorosa.
Em 2019, quando a situação do imóvel começou a ganhar repercussão na imprensa, houve um choque de versões sobre o início da decadência da estrutura.
A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e a AGU informaram em reportagens da época que a estrutura estava desocupada e sem uso desde 2017. Por outro lado, moradores e comerciantes do entorno contrariaram o prazo oficial e relataram em 2019 que o prédio estava abandonado, acumulando sujeira e gerando transtornos há pelo menos oito anos — o que jogaria o início do problema para meados de 2011.

Mato alto e lixo acumulado ampliam risco…

…de dengue e outros problemas sanitários na região.
Ainda em 2019, a solução parecia ter caminhado quando a SPU confirmou a destinação do imóvel para a Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). O plano da instituição era implantar no local uma fundação de amparo e apoio à pesquisa, além de incubadoras de empresas.
Na época, a UNIFAP chegou a estabelecer um cronograma claro, onde o espaço seria totalmente reformado com prazo de conclusão de seis meses contados a partir da transferência de posse da edificação. Entretanto, o prazo expirou, os anos se passaram e nada mudou.
Recentemente, o cenário ganhou um novo capítulo visual, mas nenhuma mudança prática. Os velhos tapumes improvisados que cercam a área — e que já dividem espaço com o mato alto — receberam uma pintura recente com o nome do Ministério da Saúde.

Reforma prometida pela UNIFAP em 2019…

…nunca foi executada e prédio segue em ruínas.
Apesar da nova identidade estampada na fachada, indicando mais uma troca de responsabilidade entre as pastas federais, as ruínas continuam exatamente iguais. Enquanto os órgãos federais alternam a posse do lote no papel, a comunidade do bairro do Trem segue convivendo com o descaso, a insegurança e o risco à saúde pública bem no centro da capital amapaense.
O espaço segue aberto para o posicionamento dos citados na reportagem sobre o atual destino do prédio e os prazos para uma solução definitiva de limpeza, segurança e revitalização do local.