Com risco de seca severa, governo do Acre monta plano para enfrentar avanço do El Niño


A possibilidade de uma nova seca severa no Acre já mobiliza o governo estadual antes mesmo do início do período mais crítico do verão amazônico. Nesta quarta-feira, 20, representantes de diversas secretarias e órgãos estaduais se reuniram na Casa Civil para alinhar estratégias de prevenção diante da previsão de fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026.

Segundo dados técnicos apresentados durante a reunião do Gabinete de Crise Hídrica, a probabilidade de configuração do El Niño pode chegar a 92% entre julho e agosto deste ano, com possibilidade de permanência até o início de 2027.

A preocupação do governo é evitar a repetição de problemas registrados em períodos anteriores de seca extrema, como falta de água, aumento das queimadas, fumaça intensa, prejuízos na produção agrícola, suspensão de aulas e dificuldades de abastecimento em comunidades isoladas.

Com risco de seca severa, governo do Acre monta plano para enfrentar avanço do El Niño
Foto: Odair Leal/Sesacre

Plano tenta antecipar impactos da seca

O planejamento estadual foi estruturado para que diferentes órgãos atuem de forma integrada durante o período crítico. A proposta é acelerar respostas em áreas consideradas mais sensíveis durante estiagens severas.

Entre os principais pontos discutidos estão medidas para garantir abastecimento de água, reforço na fiscalização ambiental, combate a incêndios florestais, assistência social e monitoramento contínuo das condições climáticas.

Durante a reunião, o coordenador da Casa Civil, Ítalo Medeiros, afirmou que o governo busca preparar a estrutura pública antes do agravamento do cenário.

“O governo se antecipa a uma previsão de seca extrema para este ano. Estamos reunidos hoje com as secretarias definindo as providências administrativas, de comunicação, fiscalização e monitoramento”, declarou.

O plano de contingência foi dividido em oito eixos prioritários: monitoramento e alerta, saúde pública, logística e mobilidade, comunicação institucional, assistência humanitária, meio ambiente e combate a incêndios, abastecimento e infraestrutura, além de orçamento e suporte jurídico.

A partir disso, cada secretaria ficará responsável por desenvolver ações específicas dentro da sua área de atuação.

Período mais crítico deve ocorrer entre agosto e outubro

Segundo a Defesa Civil Estadual, a tendência é de agravamento das condições climáticas durante o segundo semestre, principalmente entre agosto, setembro e outubro.

“A projeção é de um El Niño mais forte a partir de agosto, setembro e outubro. O gabinete de crise se mobiliza com todas as instituições para fortalecer medidas preventivas e estruturar respostas rápidas para reduzir os impactos de uma seca severa”, afirmou o coordenador da Defesa Civil, coronel Carlos Batista.

Dados apontam alta probabilidade de El Niño

As projeções utilizadas pelo governo foram elaboradas pelo Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Segundo a secretária adjunta da pasta, Renata Souza, o monitoramento é realizado diariamente com base em relatórios nacionais e internacionais.

“Nossa equipe concluiu este relatório que aponta a probabilidade do El Niño já a partir de junho. Esses dados serão atualizados na próxima semana para monitorar o cenário detalhado de transição entre o final de maio e o começo de junho”, afirmou.

Os dados apresentados ao comitê indicam:

  • 82% de probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho de 2026;
  • 92% entre julho e agosto;
  • 96% de chance de continuidade entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Segundo os técnicos, o cenário é influenciado pelas temperaturas acima da média no Oceano Pacífico Equatorial e pelas condições térmicas do Atlântico Tropical, fatores que interferem diretamente no regime de chuvas da Amazônia e do Acre.

Apesar das projeções, o governo informou que o monitoramento climático continuará sendo atualizado nos próximos meses para orientar novas decisões e medidas de mitigação.



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