AM apresenta altos índices de sub-registro de nascimentos e mortes, aponta IBGE


Manaus – Em 2024, as taxas de sub-registro de nascimentos e óbitos no Amazonas foram superiores às médias nacionais. O percentual estimado de sub-registro de nascidos vivos chegou a 4,4% no Amazonas, mais de quatro vezes acima da média brasileira (0,9%), enquanto o sub-registro de óbitos alcançou 8,8%. Entre os óbitos de menores de 1 ano, o percentual estimado atingiu 19,0% no estado. Os dados são das Estimativas de Sub-Registro de Nascimentos e Óbitos, divulgadas hoje (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

(Foto ilustrativa: Freepik / pvproductions)

Entende-se por sub-registro ou sub-notificação o número de eventos vitais (nascimentos e óbitos) não registrados e que, portanto, não constam nas bases dos sistemas de estatísticas vitais. No Brasil, há dois agentes principais que coletam as informações de estatísticas de nascimentos e de óbitos de forma complementar: o IBGE, por meio do sistema de Estatísticas do Registro Civil, a partir de dados coletados junto aos cartórios, e o Ministério da Saúde, por meio dos sistemas de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e de Informações sobre Mortalidade (SIM), alimentados pelas notificações em estabelecimentos de saúde e serviços médicos.

No Amazonas, o percentual de sub-registro de nascidos vivos estimado pelo IBGE chegou a 4,4% em 2024, acima da média nacional, que ficou em 1,0%, e também superior ao índice observado para a Região Norte (3,5%). O estado apresentou um total estimado de 66,3 mil nascidos vivos no período. Apesar da taxa acima da média regional, o Amazonas ainda apresentou taxa menor que Roraima (13,9%) e Amapá (5,8%).

(Foto: Divulgação IBGE)

Já a subnotificação de nascidos vivos apurada pelo Ministério da Saúde foi de 0,6% no Amazonas, percentual próximo ao registrado na região Norte (0,6%) e acima da média brasileira (0,4%).

Sub-registros de nascidos vivos chega a 29,7% em Barcelos

Entre os municípios amazonenses, os maiores percentuais estimados de sub-registro de nascidos vivos em 2024 foram observados em Barcelos (29,7%), Santa Isabel do Rio Negro (16,9%) e Manacapuru (14,8%). Também apresentaram taxas elevadas Itapiranga (13,4%), Atalaia do Norte (13,2%) e Maraã (13,0%). Em números absolutos, Manaus concentrou o maior total estimado de nascidos vivos do estado, com mais de 31 mil registros. Os municípios do interior, especialmente localizados em áreas de difícil acesso, continuaram apresentando maiores dificuldades relacionadas ao registro oportuno dos nascimentos. No caso da subnotificação apurada pelo Ministério da Saúde, Atalaia do Norte registrou o maior percentual do estado, com 7,8%, seguido por Ipixuna (5,3%) e Manaquiri (4,7%).

(Foto: Divulgação IBGE)

Sub-registro foi maior entre mães com menos de 15 anos de idade

Os maiores percentuais de sub-registro de nascidos vivos no estado em 2024 foram observados entre mães com menos de 15 anos de idade, faixa em que o índice estimado pelo IBGE alcançou 14,6%, o mais elevado entre todos os grupos etários analisados. Entre mães de 15 a 19 anos, o percentual também permaneceu acima da média do estado, atingindo 6,9%. À medida que aumenta a idade materna, os índices tendem a diminuir, ficando abaixo de 4% a partir dos 25 anos e voltando a subir apenas na faixa de 45 a 49 anos (5,7%). Os dados apontam para maior vulnerabilidade ao sub-registro de mães mais jovens, possivelmente associada a fatores como menor acesso a serviços públicos e vulnerabilidade social. Já subnotificação apurada pelo Ministério da Saúde, os percentuais permaneceram inferiores ou próximos a 1% na maior parte das faixas etárias, com exceção do grupo de mães com 50 anos ou mais, que apresentou índice de 16,9%, embora com reduzido número estimado de nascidos vivos.

Sub-registro de óbitos no Amazonas (8,8%) é mais que o dobro da média nacional

No Amazonas, o percentual estimado de sub-registro de óbitos alcançou 8,8% em 2024, percentual superior à média nacional, de 3,4%, mas abaixo do índice observado para a Região Norte, que chegou a 11,4%. O estado registrou um total estimado de 20,5 mil óbitos no período analisado. Já a subnotificação de óbitos apurada pelo Ministério da Saúde foi de 1,1% no Amazonas, também acima da média brasileira (1,0%), porém inferior à registrada na região Norte (1,2%). Os dados indicam que o Amazonas ainda enfrenta dificuldades relacionadas à notificação e ao registro oportuno de óbitos, especialmente em municípios mais isolados e com menor acesso à rede de serviços públicos.

(Foto: Divulgação IBGE)

Barcelos apresenta o maior nível de sub-registro do estado, com 50,2%

Entre os municípios do Amazonas, os maiores percentuais estimados de sub-registro de óbitos em 2024 foram observados em Barcelos (50,2%) e Japurá (50,1%), seguidos por Manacapuru (44,5%), Tonantins (43,2%) e Uarini (43,0%). Também apresentaram índices elevados Maraã (42,4%) e Boa Vista do Ramos (42,2%). Em números absolutos, Manaus concentrou o maior total estimado de óbitos do estado, com cerca de 12,3 mil óbitos. Os dados mostram que municípios do interior, especialmente aqueles localizados em áreas remotas e com maior dificuldade de acesso aos serviços públicos, apresentam maiores taxas de sub-registro, evidenciando desafios relacionados ao registro oportuno dos óbitos.

Já em relação à subnotificação de óbitos apurada pelo Ministério da Saúde, São Sebastião do Uatumã apresentou o maior percentual do estado, com 16,7%, seguido por Urucurituba (11,8%), Juruá (8,7%) e Atalaia do Norte (7,1%).

(Foto: Divulgação IBGE)

Sub-registro de óbitos foi maior para a faixa de 10 a 14 anos (21,5%)

No Amazonas, os maiores percentuais estimados de sub-registro de óbitos em 2024 foram observados entre crianças e adolescentes. Entre os menores de 1 ano (mortalidade infantil), o índice alcançou 19,0%, percentual superior à média nacional, de 10,8%, mas abaixo da taxa registrada para a Região Norte, que alcançou 26,6%. Entre os menores de 5 anos (mortalidade na infância), o índice também permaneceu elevado, com 18,9%; enquanto na faixa de 10 a 14 anos o número estimado chegou a 21,5%, o maior percentual entre todos os grupos etários analisados. A partir da população adulta, os percentuais tendem a diminuir, permanecendo abaixo de 10% em grande parte das faixas etárias acima de 20 anos. Em relação ao sexo, os homens tiveram taxas maiores de sub-registros, com 9,8%, enquanto mulheres tiveram taxa de 7,35%.

Já a subnotificação de óbitos apurada pelo Ministério da Saúde permaneceu próxima de 1% na maior parte das faixas etárias, embora alguns grupos mais jovens tenham registrado percentuais mais elevados, como crianças de 5 a 9 anos (3,1%) e de 1 a 4 anos (2,8%).





VER NA FONTE