Durante a estreia do Aqui Tem Acre Cast, nesta quarta-feira, 20, o ex-governador Binho Marques fez uma análise sobre o momento vivido pelo Acre, defendeu a reconstrução coletiva do estado e demonstrou preocupação com o aumento da saída de acreanos em busca de trabalho e melhores condições de vida em outras regiões do país. O ex-governador se colocou à disposição do pré-candidato do PSB, Thor Dantas, para integrar um futuro governo, caso o socialista seja eleito.
Ao participar da conversa ao lado de Jorge Viana e dos jornalistas Toinho Alves e Marcela Jansen, Binho afirmou que falar sobre o Acre continua sendo uma pauta central de sua trajetória pessoal e política. “Eu agradeço por ser chamado para um bate-papo sobre o Acre, porque é o tema do meu coração. Falar sobre o Acre. E não só falar sobre o que foi, o que está sendo, mas muito mais ainda pensar no futuro”, pontuou.
Binho destacou o caráter singular do estado e a dificuldade de traduzir para quem está fora a identidade acreana. “Quando eu falo assim que o Acre não existe, eu também acho que ele não existe, porque ele é tão único. É no sentido de dizer que não tem nada igual ao Acre. É algo muito especial. Por isso o Acre está sempre no meu coração”, destacou.
Segundo ele, a história acreana sempre foi marcada pela construção coletiva e pela mobilização social, característica que, segundo o ex-governador, permitiu ao estado superar desafios históricos. “Se você pegar toda a história do Acre, ela sempre foi uma história coletiva. Sempre foi uma história de que as pessoas todas estavam engajadas numa causa”, ressaltou.
Ele lembrou que esse espírito coletivo nasce ainda no processo de ocupação da região e se fortalece na formação social acreana. “Veio um povo sofrido e, no sofrimento, a gente está unido para enfrentar as dificuldades. Depois teve a Revolução Acreana, que ficou por conta de quem estava aqui. O que eu percebo é que, em todos os momentos, o acreano está unido”, afirmou.
Para Binho, essa capacidade de união permanece sendo a principal força do povo acreano. “O acreano é, antes de qualquer coisa, realmente um guerreiro. É ele que transforma as coisas e faz com que o Acre sobreviva a tantas dificuldades”, observou.
Binho também comentou o êxodo recente de famílias acreanas para estados do Sul, Sudeste e Nordeste, relatando experiências pessoais em viagens pelo país. “Eu viajo o Brasil inteiro falando das mudanças da educação que a gente fez lá atrás. E sempre encontro acreano”, ressaltou.
Segundo ele, ao conversar com essas pessoas, percebe um sentimento misto: há o alívio pela conquista de emprego, mas também um vazio emocional provocado pela distância da terra natal. “Eles falam: ‘Aqui a gente chega e no outro dia já tem trabalho’. Mas o sentimento não é de felicidade. Resolve parcialmente um problema, mas o acreano é um bicho de rumo, ele não consegue ficar sozinho. Ele sente uma solidão tremenda”, pontuou.
O ex-governador relatou ainda que muitos acreanos enfrentam preconceito e dificuldades de adaptação em outras regiões. “Quando vai para o Sul e Sudeste, têm mais preconceito. O acreano não é aquele cara orgulhoso de si. É um cara que, para eles, vem de um lugar inferior. Então o sentimento é: se tiver oportunidade, eu volto para o Acre”, afirmou.
Para ele, o estado tem plenas condições de voltar a oferecer oportunidades, desde que haja um projeto coletivo. “O Acre tem como voltar a ser um lugar de oportunidade. A gente sempre trabalhou com a ideia de oportunidade para todos, e não para poucos”, reforçou.
Binho também fez críticas à atual condução de políticas públicas e afirmou que o enfraquecimento do interesse coletivo tem prejudicado o desenvolvimento estadual. “Isso aconteceu quando os interesses pessoais foram maiores do que os interesses coletivos. Eu não consigo imaginar alguém fazer política pública pensando em si mesmo. As pessoas que convidei para serem secretários assinaram um documento dizendo que não seriam candidatos a nada e que ficariam durante todo o governo enquanto eu não decidisse tirar. Foi uma forma de garantir foco total na gestão”, relembrou.
Para o ex-governador, esse tipo de compromisso é essencial para recolocar o Acre em trajetória de crescimento. “Quando eu vejo hoje o Acre do jeito que está, eu não tenho a menor dúvida de que o Acre vai superar, porque os acreanos são capazes de fazer as maiores revoluções a cada momento”, pontuou.
Ao falar sobre o futuro da educação no Acre, o ex-governador Binho Marques destacou que o estado já possui uma base estruturada capaz de sustentar uma nova fase de avanços. “Na educação, por exemplo, tem uma cultura enraizada, tem os professores que sabem como fazer as coisas, nós temos gestores escolares excelentes. Então, por isso que o Jorge fala: agora é mais fácil, porque tem uma base. A gente colocou o ensino superior em todo o estado, então a gente tem um pessoal muito mais qualificado, foi o que a gente sempre observou no interior, agora tem gente qualificada. Então eu não tenho dúvida que agora voltar a fazer do Acre aquele lugar de grande orLUCAS
gulho está mais fácil, mas não pode demorar muito também”, afirmou.
Em tom descontraído, Binho ainda brincou sobre uma possível volta à gestão pública. “O Jorge falou aí que é candidato, eu quero dizer que eu também sou um pré-candidato. Eu vou conversar com o Thor para ver se ele me aceita ser o secretário de Educação do Thor, quem sabe ele me aceita. Eu adoraria participar dessa revolução”, ressaltou.
Segundo ele, uma nova etapa para o setor deve estar diretamente ligada à geração de emprego e renda. “Uma das coisas que eu penso que a gente tem que fazer agora, numa nova fase, é um ensino profissional já vinculado ao trabalho. Eu fiz um projeto desse no Pará, numa região muito pobre, de assentamentos. Cara, é uma coisa extraordinária”, pontuou.