
O preço do leite pode continuar subindo no Brasil ao longo de 2026, pressionado por uma combinação de fatores que começa ainda no campo e já chega ao bolso do consumidor. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP) apontam aumento nos custos de produção, menor oferta da matéria-prima e disputa entre laticínios pelo leite produzido no país.
Nas últimas semanas, o leite longa vida apareceu entre os alimentos com maior alta nos índices de inflação. Segundo o levantamento do CEPEA, os preços avançaram quase 14% em abril em relação ao mês anterior, movimento que também vem sendo percebido em derivados como queijo, manteiga e iogurtes.
Especialistas explicam que a tendência de alta está ligada principalmente à redução da produção durante o período de outono e inverno, quando a qualidade das pastagens piora naturalmente. Além disso, previsões climáticas relacionadas ao possível fortalecimento do El Niño podem agravar o cenário em algumas regiões produtoras do país.
Os produtores também enfrentam aumento de custos com ração, fertilizantes, combustível e energia elétrica. Parte dessa pressão está relacionada aos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio, que elevou preços de insumos usados na cadeia leiteira. Apesar do valor pago ao produtor ter aumentado nos últimos meses, o setor ainda demonstra cautela para ampliar investimentos na produção.
Outro fator que influencia os preços é a menor oferta de leite cru disponível para a indústria. O índice de captação leiteira calculado pelo Cepea registrou queda no primeiro trimestre de 2026, cenário que intensificou a disputa entre laticínios pela matéria-prima. Como o leite é um produto perecível, o aumento nos custos costuma ser repassado rapidamente ao consumidor final.
Mesmo com a perspectiva de continuidade da alta, o setor avalia que os preços podem perder força nos próximos meses caso a produção apresente recuperação e o consumidor reduza o ritmo de compras diante do encarecimento dos produtos. Ainda assim, a expectativa é de que o leite continue entre os alimentos que mais devem pressionar a inflação em 2026.