A mãe do menino autista de 6 anos, vítima de abuso sexual cometido pelo próprio tio policial penal do Amapá, condenado a mais de 13 anos de prisão, afirmou estar sofrendo ameaças após a repercussão da prisão dele ontem (19) para início do cumprimento da pena. O relato foi feito nesta terça-feira (20), por meio das redes sociais, e numa entrevista ao Portal SelesNafes.Com. Danielly Melo revelou que pessoas da própria família dela passaram a enviar mensagens e questionamentos depois que a identidade do condenado veio a público, o que teria exposto a família e causado um grande conflito interno. Emocionada, ela lembrou que o processo tramitou por mais de dois anos em segredo, reuniu provas, depoimentos e avaliações técnicas até a condenação.
“Não foi do dia pra noite. Houve depoimentos, coleta de provas. Não foi nada aleatório. A polícia não bateu na porta da casa de ninguém por uma acusação falsa. Fiz de tudo para o processo correr em sigilo total, mas com a foto dele e o nome na mídia muitas pessoas do nosso convívio passaram a me mandar mensagem”, desabafou.
Segundo ela, o episódio ocorreu em junho de 2024, durante uma visita à casa da irmã, casada com o policial penal Michael Pinheiro, de 47 anos. Enquanto as duas conversavam em um quarto da residência, as crianças brincavam em outros ambientes da casa.

Policial foi preso ontem para início do cumprimento da pena
Danielly contou que, ao deixar o quarto para ir embora, encontrou o filho chorando no corredor com um copo de suco nas mãos, o que imediatamente chamou sua atenção.
“Era um lugar que eu sempre senti que os meus filhos estavam seguros. Quando eu saio do quarto vem meu filho pelo corredor já choramingando com um copo de suco na mão, o que achei estranho por dois motivos: ele não toma suco e tinha uma regra na casa que nada poderia passar pelo corredor para não sujar”, relatou.
Ao perguntar quem havia dado o copo à criança, ela ouviu do próprio cunhado que tinha sido ele. Em seguida, questionou o filho sobre o motivo do choro.
“Ele disse: ‘mamãe, o titio mandou eu colocar o pinto dele na minha boca’. Naquele momento o chão se abriu pra mim”, afirmou. No boletim de ocorrência registrado pela irmã (esposa de Michael), ela mesma afirma que o menino teria afirmado que o o tio “mandou chupar o pênis dele e o gosto tava ruim”.

Boletim feito pela esposa do policial, no dia do crime
A mãe contou que retirou imediatamente o filho da residência. A irmã, percebendo o nervosismo, insistiu para saber o que estava acontecendo. Já dentro do carro, Danielly pediu que o menino repetisse o relato diante da tia.
“Ela disse: ‘será que ele não se confundiu?’. Mas quem acionou a viatura para prender ele foi a própria esposa. O boletim de ocorrência está assinado por nós duas”, disse. O policial foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Em outubro, ele recebeu liberdade provisória. A esposa dele, no decorrer do processo, passou a apoiá-lo e rompeu com Danielly.
Depoimento do menino e do acusado
Danielly lembrou que o menino também foi ouvido durante o processo por uma entrevistadora forense e posteriormente pela magistrada responsável pelo caso, sem a presença dela na sala.
“Dizem que eu mandei ele falar. Elas (as irmãs) dizem, ninguém mais. Ele foi ouvido por uma entrevistadora forense em audiência e eu não pude participar. Ele ficou uma hora e meia com ela. Elas dizem que ele é um autista não verbal, mas ele é verbal e funcional”, afirmou.

Depoimento da criança…

…e do policial negando que praticou os crimes narrados pela vítima e sua mãe…
Em depoimento, Michael Pinheiro negou o crime e que também tenha ficado sozinho com a criança. Segundo ele, o menino teria relatado que o “suco estava com gosto ruim”. Ele acusou Danielly de ter inventado tudo por supostos transtornos psicológicos no relacionamento com o marido.
A mãe também rebateu acusações de que teria inventado a denúncia em razão de problemas emocionais e disse que continua casada.
“Elas disseram que eu estava louca. Que estava colocando palavras na boca dele”, declarou.
Danielly afirmou que a mãe e as irmãs romperam relações com ela após o caso, por considerarem que ele poderia ter sido resolvido internamente sem envolvimento da polícia ou da justiça por “não ter sido grave”.
“Vou defender ele eternamente. O acusado eu gostava muito. Via ele como um excelente pai e marido, mas ele abusou do meu filho. Esses são os pedófilos: aqueles em quem a gente mais confia”, concluiu.
Nesta terça-feira (20), Danielly registrou um novo boletim de ocorrência por ameaças que estariam vindo da própria família.