Um estudo publicado na revista científica Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, uma zoonose considerada emergente na região amazônica.
A pesquisa foi realizada entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN). O estudo integrou a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
Ao longo da pesquisa, os pesquisadores entrevistaram 78 famílias e analisaram 23 fígados de pacas abatidas para consumo humano.
Os resultados apontaram que 48% das amostras apresentavam cistos hidáticos causados pelo parasita.
Risco de transmissão
Segundo os pesquisadores, um dos principais fatores de risco identificados está relacionado à participação de cães nas caçadas realizadas pelas comunidades.
O estudo apontou que a maioria dos animais domésticos consome vísceras cruas das pacas abatidas, o que favorece a disseminação do parasita.
De acordo com os pesquisadores, cães infectados podem eliminar ovos do Echinococcus vogeli no ambiente, contaminando solo, água e alimentos consumidos pelas pessoas.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
Necessidade de prevenção
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, especialmente sobre o manejo de cães e o descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.