O governo de Cuba adquiriu um lote superior a 300 veículos aéreos não tripulados (drones) para finalidades militares e passou a analisar cenários táticos para o emprego dos equipamentos contra a base naval americana de Guantánamo, situada no extremo leste da ilha, e contra o próprio território dos Estados Unidos. As informações foram divulgadas neste domingo (17) pelo portal de notícias norte-americano Axios, que teve acesso a relatórios confidenciais de inteligência.
A revelação dos documentos estratégicos ocorre em um período de acentuada fricção diplomática e militar entre Havana e Washington. O Ministério das Relações Exteriores cubano tem acusado de forma reiterada a Casa Branca de construir uma narrativa política internacional para justificar uma intervenção militar direta contra a ilha caribenha.
De acordo com as fontes consultadas pela publicação, o processo de incorporação tecnológica teve início em 2023. Desde então, as Forças Armadas Revolucionárias de Cuba têm recebido modelos de aeronaves não tripuladas de ataque fornecidas pela Federação Russa e pela República Islâmica do Irã, mantendo negociações ativas para ampliar o volume do inventário bélico.
“Quando pensamos nesse tipo de tecnologia tão perto de nós, é preocupante”, afirmou uma alta liderança do funcionalismo público dos Estados Unidos, que concedeu declarações sob a condição de anonimato. O integrante da administração federal classificou a movimentação estratégica caribenha como “uma ameaça crescente” para o perímetro de segurança regional.
O presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou publicamente o posicionamento de que a ilha sob regime comunista, localizada a aproximadamente 150 quilômetros da costa do estado da Flórida, constitui “uma ameaça extraordinária” para a integridade da segurança nacional dos Estados Unidos. Em pronunciamentos recentes, o mandatário ameaçou “tomar o controle” do território cubano e sugeriu o deslocamento de um porta-aviões de propulsão nuclear para realizar manobras na região marítima do entorno.
Além do embargo econômico instituído de forma contínua desde 1962, o governo dos Estados Unidos intensificou a asfixia financeira sobre Havana por meio de um bloqueio petrolífero implementado em janeiro deste ano. A restrição logística permitiu o desembarque de apenas um navio petroleiro de origem russa nos portos cubanos nos últimos meses. No início de maio, o Departamento de Estado norte-americano formalizou novos pacotes de sanções econômicas contra o país.
A gravidade da crise motivou uma viagem oficial e de caráter excepcional do diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, a Havana na última quinta-feira. O chefe da inteligência civil norte-americana participou de reuniões de portas fechadas com a cúpula do governo cubano na tentativa de estabelecer canais de interlocução em meio às restrições comerciais.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, já havia se manifestado em meados de abril, assegurando que as defesas do país estavam estruturadas e prontas para rechaçar qualquer tipo de investida bélica por parte de Washington. Paralelamente às tratativas bilaterais, o órgão de Defesa Civil cubano iniciou a distribuição em portais institucionais das províncias de um documento intitulado “guia da família”, voltado a orientar a população civil sobre protocolos de conduta e segurança em caso de eclosão de um conflito armado na ilha.