Governador chama grupo de Castro de “quinto escalão da máfia”


O ex-prefeito do Rio de Janeiro e líder das pesquisas para a eleição ao governo do estado, Eduardo Paes (PSD), desembarcou numa tarde chuvosa em Oxford, no Reino Unido, neste sábado (16), para uma fala de pouco mais de uma hora sobre gestão pública e governança para estudantes e pesquisadores do Brasil na Inglaterra e na Europa.

 

Numa janela entre o fim da palestra e a chegada de seu carro por aplicativo, ele falou com a coluna sobre a maior crise política e institucional já enfrentada por seu estado, diga-se, acostumado aos trancos e barrancos.

 

O Rio não consegue elencar nos dedos de uma mão o número de ex-governadores que foram presos, afastados ou alvos de busca e apreensão. Mas, para o núcleo político de seu adversário no estado, o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), Paes guarda um lugar especial nessa espécie de panteão da desonra.

 

O Rio não consegue elencar nos dedos de uma mão o número de ex-governadores que foram presos, afastados ou alvos de busca e apreensão. Mas, para o núcleo político de seu adversário no estado, o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), Paes guarda um lugar especial nessa espécie de panteão da desonra.

 

“Vamos lá… O Rio, hoje, vive uma crise política e institucional. As eleições de 2018, que, em tese, tinham de ser de arrumação —e eu não falo como derrotado, porque fui— acabaram servindo ao sistema. Ele, o sistema, se travestiu no [ex-juiz] Wilson Witzel. Essa gente toda, a começar pelo Cláudio Castro, era o quinto escalão de uma máfia. Então, foi o quinto escalão da máfia quem assumiu o governo do Rio”, disparou o ex-prefeito.

 

Educado, sem esconder a luta com o relógio —Paes retornou ao Brasil no mesmo dia, menos de quatro horas depois de sua palestra aos estudantes em Oxford— o ex-prefeito não poupou palavras.

 

O ponto de partida da análise foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, que, na última sexta (15), autorizou uma operação de busca e apreensão contra Castro e outras medidas contra uma série de aliados que, segundo a Polícia Federal, tomaram o estado para servir aos interesses de um empresário que é o maior sonegador de impostos do país e um colaborador do crime organizado, Ricardo Magro. Nem o Judiciário nem aparelhos de repressão ao crime escaparam da decisão.

 

“Se você olhar o fio condutor de como chegamos onde estamos, é para ser roteiro de série… A gente saiu do crime do colarinho branco para conexões com o crime organizado. O governador anda de fuzil? Não. O [Rodrigo] Bacelar, ex-presidente da Alerj [Assembleia Legislativa do Rio], anda de fuzil? Não. Mas conversa com quem anda. Então, assim, é uma situação muito crítica.”

 

Paes é aliado de longa data do presidente Lula, para quem diz que vai fazer campanha à reeleição. “O Lula fez muito pelo Rio”, diz.

 

Questionado sobre o papel de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na calvário fluminense, o ex-prefeito ameniza o tom, mas não foge da crítica. “O papel do Flávio foi o de ter, no mínimo, emprestado o nome ou a popularidade dos Bolsonaro para eleger ambos [Witzel e Castro] —e ele quer insistir nesse erro.”

 

“Então, no mínimo, há omissão. Mas eu não tenho como acusá-lo de qualquer ilícito ou atividade criminosa no governo do estado. Seria forçar a mão dizer que o Flávio era o dono do governo. Na verdade, o dono do governo era o sistema, a máfia. Nem o governador era o dono do governo… O Castro não delegou poder, ele delegou autoridade”, ataca.

 

O ex-governador Cláudio Castro nega ter atuado para defender interesses de empresas privadas suspeitas de vínculo com o crime organizado. Num vídeo, ele disse ter agido com lisura e sempre em defesa do interesse do estado do Rio.

 

Na oposição ao grupo do ex-governador, inelegível hoje pelo Tribunal Superior Eleitoral por ter pagado mais de 27 mil cabos eleitorais com dinheiro público, o ex-prefeito tem feito uma série de reuniões com gestores que atravessaram situações críticas, como Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo. Busca ideias para o que chama de “choque de República” no Rio.

 

“O estado precisa de um choque de República. Esse é o ponto. E precisa ser um pacto nacional. Não se faz isso sem o Supremo, sem a Polícia Federal e sem o presidente da República. Eu já falei com o Lula. Eu vou trabalhar por ele, vou votar nele, mas se por acaso ele não se reeleger, vou pactuar com o presidente do Brasil seja ele quem for, o Flávio Bolsonaro, o Ronaldo Caiado [PSD], o Romeu Zema [Novo]… É um caso de intervenção nacional.”

 

Com emprego das Forças Armadas? “Eu não acredito em Forças Armadas enfrentando violência. A gente precisa de trabalho, de política de segurança, a Polícia Federal é muito importante”, concluiu, antes de deixar a mesa em direção ao carro de aplicativo que o levaria de volta a Londres, para pegar o voo de volta ao Brasil, evitando sacrificar mais do que um dia e meio de pré-campanha.

 





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