O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou, neste domingo (17), que o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as irregularidades envolvendo o Banco Master será analisado de forma “regimental”.
Até o momento, o Congresso Nacional conta com sete pedidos de abertura da CPI do Master. Um deles foi apresentado na Câmara.
“Vamos dar um tratamento regimental a essa situação. E cumprir o regimento da Câmara que vai nortear a decisão do presidente”, disse Motta a jornalistas, em Brasília, nesta manhã, após participar da Corrida da Câmara, evento comemorativo aos 200 anos da Casa.
O presidente da Câmara não detalhou o que significaria o “tratamento regimental”. Nas últimas semanas, Motta tem afirmado, em conversas com líderes partidários, que a análise sobre a CPI precisa seguir uma ordem cronológica de pedidos apresentados à Casa.
CPI ganha força após áudio de Flávio a Vorcaro
Nesta semana, dois novos pedidos de CPI do Master foram apresentados no Congresso – ambos estão em fase de coleta de assinaturas.
As iniciativas ganharam força após a notícia publicada pelo site Intercept Brasil, na última quarta-feira (13) que mostrou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os recursos foram solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência da República.
Além do impacto político, o episódio trouxe consequências econômicas.
Assim que a reportagem foi publicada com o áudio do pedido e das cobranças de Flávio a Vorcaro, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), despencou – e o dólar engatou forte alta, terminando a sessão novamente na casa dos R$ 5, em um dia que ficou conhecido como “Flávio Day 2” no mercado.
O primeiro “Flávio Day” ocorreu em dezembro do ano passado, quando o senador foi escolhido por Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto – e a notícia derrubou a Bolsa, com um tombo de mais de 4% na ocasião.
À época, o nome preferido pelo mercado para a corrida presidencial era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).