
O roraimense Ney Castro, idealizador do projeto “Roraima ao Mundo”, relatou ter sido vítima de extorsão e roubo durante a travessia pela Venezuela, enquanto seguia viagem rumo à Copa do Mundo de 2026. O caso ocorreu na madrugada de quinta-feira (14), durante deslocamento de ônibus entre Caracas e a fronteira com a Colômbia.
Segundo Ney, ele saiu de Caracas por volta das 22h40 de quarta-feira (13), após chegar à capital venezuelana em um ônibus vindo de Ciudad Bolívar. Durante o trajeto, o veículo foi parado em fiscalizações militares conhecidas no país como “alcabalas”.
O viajante contou que foi retirado do ônibus por agentes armados e levado para uma sala de inspeção junto com outros estrangeiros. Durante a revista, militares teriam encontrado uma doleira presa ao corpo dele, onde estava guardada parte do dinheiro da viagem, cerca de US$ 1.500 (cerca de R$ 7,5 mil na cotação atual).
“Quando eu cheguei lá, eles começaram a revistar minha mochila toda. Eu viajei com uma doleira por baixo da roupa, aí começaram a perguntar quanto dinheiro eu tinha. Enquanto um mexia na minha mochila, o outro ficou me distraindo, mandando tirar camisa, tirar tênis. Depois, dentro do ônibus de novo, eu percebi que tinham levado parte do dinheiro”, afirmou.
Segundo Ney, ele ficou com metade valor e seguiu viagem. Cerca de 40 minutos após a abordagem, o veículo foi novamente parado por uma segunda fiscalização. Ele desceu com a mochila, seguindo a ordem do militar, e mostrou os documentos, mas foi revistado e impossibilitado de seguir a viagem por não ter um suposto termo de passagem.
“O cara perguntava: ‘cadê o termo para passar por aqui?’. Eu mostrava o passaporte e o visto americano, mas eles insistiam. Depois começaram a falar que iam me mandar de volta para o Brasil. Aí eu entendi que queriam dinheiro. Eles ficaram me pressionando o tempo todo”, disse.
No fim do percurso, ao chegar em Cúcuta, na Colômbia, Ney ficou com apenas US$ 200. Ele afirma que saiu de Roraima levando recursos para custear parte da jornada pelas Américas, mas perdeu grande parte do valor durante as abordagens.
Além do dinheiro, o roraimense afirma ter perdido equipamentos usados na produção de conteúdo da viagem, como powerbanks, cabos, acessórios de gravação, roupas térmicas e uma bolsa com objetos pessoais.
“Foi uma pancada emocional muito grande. A sensação é de impotência, porque você não tem para quem reclamar. Eu não fiz nada, meu único ‘erro’ foi estar passando pelo país”, declarou.
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Seguindo a jornada
Após atravessar a fronteira, Ney afirmou ter conseguido descansar e reorganizar parte da viagem. Segundo ele, os próximos destinos serão Bogotá e Panamá, trechos que devem ser feitos de avião por questões de segurança, algo já previsto e planejado antes de embarcar na jornada rumo à Copa do Mundo.
O projeto “Roraima ao Mundo” pretende atravessar países das Américas até os Estados Unidos, sede da Copa do Mundo de 2026, com produção de conteúdos sobre cultura, estrada e futebol. Após relatar o prejuízo financeiro, Ney também informou ter disponibilizado uma chave Pix (aleatória: aa30fabb-65eb-4791-b910-9295ff3ed961 ou pelo link do banco) para receber ajuda de seguidores e apoiadores da jornada.
“Isso não é turismo, é uma jornada real. Quem puder ajudar vai fazer diferença para eu conseguir continuar”, afirmou.
Toda a jornada do roraimense vem sendo compartilhada nas redes sociais, por meio do perfil @neycastro, no Instagram, onde ele publica vídeos, relatos e bastidores da viagem