Quo Vadis?


Uma história bem conhecida da Bíblia diz respeito a Pedro. Quando ele fugia da perseguição romana saindo da cidade, encontrou Jesus vindo em direção oposta e perguntou Domine, Quo Vadis? (Senhor, para onde vais?). Jesus lhe respondeu que estava voltando à Roma para ser crucificado novamente, o que motivou Pedro a também retornar, não abandonando o plano inicial – ainda que fosse perigoso – e deixando, ao mesmo tempo, mais uma importante lição de coragem, afinal, se O Filho do Homem havia se sacrificado pela humanidade, por que Pedro pensava ter o direito de fugir sem lutar?

A coragem vem sempre acompanhada de seus dois irmãos: a fé e o destemor. Ou seja, a ausência de medo para enfrentar o desconhecido, somada a alguma coisa que, inconscientemente, assegura bom resultado se combatermos a realidade que nos incomoda. Persistir é tão diferente de insistir, quanto viver é diferente de existir. Como observador da sociedade nas horas vagas, vez ou outra, penso sobre como as coisas estão difíceis e no quanto ainda precisam piorar até que as pessoas acordem para a vida e passem à ação, lembrando que é necessário plantar para colher e nada inverte essa ordem. E o que raramente plantamos é a necessidade de ação e de paciência para entender o jogo, virar a mesa e encontrar meios de resolver o que precisa de solução hoje para melhorar o amanhã, antes que ele fique para depois de amanhã.  Em vez de reconhecermos defeitos próprios, que podem ser trabalhados, e consertá-los um pouco a cada dia, há quem prefira se conformar por preguiça de agir e se submeta ao quase nada, mesmo tendo todas as ferramentas para alcançar o tudo. Curioso é que há sempre uma desculpa na ponta da língua para a falta de ânimo, para o excesso de sonhos em vez de planos, e, para as vontades em vez dos objetivos. Há sempre muitos direitos, justificativas infinitas, pouquíssimas obrigações ou o menor interesse pelo que dá trabalho. E é assim que os dias viram meses, depois anos, o tempo passa e, do nada, tudo acaba. As maiores conquistas na vida seguem o velho sistema de tentativa e erro e, ainda assim, há quem prefira estancar na fase do erro, assumindo em algum momento o grande dilema da existência nulificada de Ivan, personagem do livro de Leon Tolstói “A Morte de Ivan Ilitch”, cuja leitura fortemente recomendo, sem spoilers, a quem já passou dos 30. Se já leu, releia para se situar na vida mais uma vez.

A propósito, se hoje você vê o tempo passando e se pergunta onde enterrou os melhores dias de sua existência, tenha certeza de que há algo (muito) errado. Se parou para pensar, com a sinceridade de quem não pode se enganar, se até aqui você viveu ou apenas existiu e encontrou uma resposta tristemente verdadeira, está perdendo tempo. Aproveite a oportunidade para questionar a si mesmo se, neste momento, você vive ou apenas gasta as horas para que o dia passe mais rápido. E se, agora ou depois, ao repetir a reflexão ainda encontrar as mesmas respostas, me diga: pra onde vais?

Igor Menezes Cordovil é Gestor de Marketing & Inteligência de Mercado do Grupo FAMETRO, Especialista em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), e MBA em Marketing, Consumo e Neurociência pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Contato: imenezes357@gmail.com

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