Os portões da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, amanheceram bloqueados para veículos nesta quinta-feira, 14, durante mais um ato da greve nacional dos servidores técnico-administrativos da educação. A mobilização, organizada pela categoria, teve como foco pressionar o governo federal pelo cumprimento de um acordo firmado após a greve de 2024, que durou mais de 100 dias.
O protesto ocorreu em frente à universidade e permitiu apenas a entrada de pedestres e motocicletas. Segundo os manifestantes, o objetivo foi ampliar a visibilidade do movimento em um período de retorno e circulação intensa de estudantes no campus.
A técnica em contabilidade da Ufac e integrante da organização do ato, Janine de Paula, afirmou que a categoria cobra o cumprimento de oito pontos que, segundo ela, seguem pendentes mesmo após quase dois anos da assinatura do acordo com o governo federal.
“Esse acordo tinha 15 pontos de pauta, 15 reivindicações históricas da categoria. E até hoje, quase dois anos do nosso acordo de 2024, ainda tem oito pontos que não foram cumpridos ou foram parcialmente cumpridos”, declarou.

De acordo com Janine, entre os grupos prejudicados estariam aposentados, servidores em estágio probatório e profissionais das áreas médica e veterinária.
“Eles estão excluindo de algumas dessas pautas nossos aposentados, estágio probatório, o pessoal da medicina e da medicina veterinária”, afirmou.
A paralisação integra o movimento nacional coordenado pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). Segundo a servidora, a greve começou em 23 de fevereiro e deve continuar com novas mobilizações.
“As orientações que a gente recebeu do comando nacional é que a gente realizasse atos mais radicais, como esse que a gente está fazendo hoje, de fechamento dos portões. A gente precisa dar maior visibilidade para a nossa greve”, disse.

Apesar do bloqueio para carros, a entrada de estudantes e demais pessoas no campus foi mantida. “Os alunos estão entrando, só não estão entrando os carros. Então a gente não está atrapalhando o direito de ninguém de ir e vir”, afirmou.
Entre as reivindicações da categoria está a implantação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), mecanismo que prevê valorização profissional por atividades desenvolvidas dentro das instituições, mesmo sem titulação acadêmica formal.
Segundo Janine, o Instituto Federal do Acre (Ifac) já adota o mecanismo, enquanto a Ufac ainda não implementou a medida. “O IFAC hoje já tem, a UFAC não tem, então a gente está reivindicando isso”, explicou.

Ela também destacou que a pauta beneficiaria principalmente servidores aposentados. “Muitos dos que já se aposentaram pela UFAC hoje às vezes não têm uma formação de mestrado, não têm uma formação de doutorado, e seriam muito mais beneficiados com esse RSC”, disse.
Outro ponto defendido pela categoria é a implantação da jornada de 30 horas semanais para todos os técnico-administrativos, sem exigência de atendimento ao público externo.
“Hoje o que a gente tem aqui na universidade é a flexibilização. Essa flexibilização tem uma condição, que é promover atendimento ao público externo”, afirmou.
Segundo a servidora, a proposta do movimento é ampliar o direito para todos os setores da universidade. “A gente quer reivindicar as 30 horas para todo mundo, sem condição nenhuma”, concluiu.