Outro dia, acompanhando uma amiga ao Mercado do Porto, em meio a sons, imagens e odores, descobri que vivo com a nostalgia do Porto. Indaguei-me, então, se não seria eu um saudosista a mais. Certamente sim, mas não do tipo clássico.
O que me suscitou a desvairada paixão pelo Porto foram as andanças e olhares de um jovem, quase adolescente, pelas ruas, becos, campos de bola, lupanares, cinemas do bairro, o jovem que eu fui.
Havia sim outro cinema, antes ainda do Cine São Luis (inaugurado em março de 1958). Trata-se do Cine Bella, do húngaro Bella Tabore, que para atrair a clientela projetava trechos de seus filmes ao ar livre, no oitão do quartel da Polícia, transformado assim em tela de um cinema aberto. A gurizada encantava-se com os filmes e artistas: Tarzan – com Johnny Weissmuller, o maior de todos, Durango Kid, Zorro, Rocky Lane, Hopalonge Cassidy, Rondolph Scott, etc. Com o São Luis teve inicio o CinemaScope technicolor (tela panorâmica, em cores), revelando-nos, além dos faroestes, comédias, romances, dramas… foi a fase dos filmes inesquecíveis: Assim caminha a humanidade, Juventude transviada, E o vento levou, Rastros de ódio e muitos outros. Nas tardes costumava haver projeções, para verificação do estado da fita.
Por vezes conseguíamos burlar a vigilância e assistir a elas. Certa tarde estando lá eu, Bira e Edinésio, este, não suportando à crueza das cenas, vomitou. Sapeávamos a pornografia grossa.
O bairro era (é) pródigo em lupanares. Na Lagoa funcionava o Bar Brotinho, o mais folclórico dos cabarés do Porto; Pedra Branca, num beco transversal a…
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