O aumento das dívidas entre os acreanos colocou Rio Branco entre as capitais brasileiras com maior interesse pelo programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal para renegociação de débitos com descontos que podem chegar a 90%.
Levantamento da Folha de S.Paulo, baseado em dados do Mapa da Inadimplência da Serasa e do Censo 2022 do IBGE, aponta que a capital acreana registra 43,9% da população adulta inadimplente e aparece entre as cidades com maior volume de buscas pelo programa nos últimos dias.
O Acre também figura entre os estados brasileiros com maior interesse pelo Desenrola 2.0, ao lado de Piauí, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
Os dados mostram que o problema da inadimplência segue mais concentrado nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. Entre as capitais, Manaus lidera o ranking nacional, com 84% da população adulta com dívidas em atraso, seguida por Macapá, com 73,9%.
No cenário estadual, o Amapá aparece com o maior percentual proporcional de inadimplência do país, com 65,1% da população adulta endividada. Na sequência estão Distrito Federal (62,77%), Amazonas (60,10%) e Mato Grosso do Sul (59,55%).
Segundo o levantamento da Folha, metade da população adulta das capitais brasileiras e do Distrito Federal possui algum tipo de dívida em atraso atualmente.
Mais de 107 mil famílias endividadas no Acre
Os dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio-AC) reforçam o cenário de dificuldade financeira no estado.
Em abril de 2026, o Acre registrou 107.877 famílias endividadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Apesar do número elevado, o estado apresentou redução de 0,54% em relação ao mês de março, atingindo o menor índice desde agosto do ano passado.
Entre as famílias acreanas endividadas, 50.512 possuem contas em atraso, o equivalente a 38,1% do total. O número representa queda de 1,54% na comparação mensal.
Por outro lado, aumentou a quantidade de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas. O total passou de 15.133 para 15.397 famílias entre março e abril.
Segundo a Fecomércio-AC, o maior nível de endividamento continua concentrado entre famílias com renda de até três salários mínimos.
O cartão de crédito segue como principal responsável pelas dívidas dos acreanos, especialmente por causa das compras parceladas de bens de consumo não duráveis.
Programa teve pico de buscas
O Desenrola 2.0 foi lançado pelo governo federal com foco na renegociação de dívidas bancárias.
Dados do Google Trends citados pela Folha mostram que o interesse pelo programa atingiu o pico no dia 4 de maio, data de lançamento da nova etapa, mantendo alto volume de buscas ao longo da semana.
Pesquisa Datafolha realizada em abril mostrou que dois em cada três brasileiros possuem dívidas financeiras atualmente. Entre os entrevistados, 21% afirmaram estar com pagamentos em atraso.
O cartão de crédito parcelado aparece como principal modalidade de débito entre os inadimplentes, citado por 29% dos entrevistados, seguido por empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%).
No cenário nacional, a CNC informou que o percentual de famílias endividadas chegou a 80,9% em abril, mantendo crescimento pelo quarto mês consecutivo.
O assessor da presidência da Fecomércio-AC, Egídio Garó, avalia que fatores como aumento da taxa Selic, reajustes nos combustíveis e elevação das tarifas de energia elétrica podem pressionar ainda mais o orçamento das famílias acreanas nos próximos meses.