Manaus – O lutador de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, investigado por suspeita de abuso sexual contra alunas durante treinos, teria usado um celular dentro da prisão para fazer videochamadas e ameaçar atletas da BJJ College. A denúncia foi feita pela deputada estadual Alessandra Campêlo denunciou nesta terça-feira (12) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Segundo a parlamentar, um policial ligado às forças especiais teria facilitado a entrada do celular na unidade prisional, permitindo que o investigado mantivesse contato externo mesmo custodiado.
Durante as chamadas, que teriam durado mais de 20 minutos, Melqui Galvão teria feito ameaças e tentado chantagear as testemunhas, oferecendo apoio financeiro e até benefícios relacionados à academia em troca da mudança dos depoimentos, com o objetivo de favorecer sua saída da prisão.
A deputada Alessandra Campêlo solicitou a prisão preventiva do lutador, justificando que o conteúdo das chamadas representa risco direto às vítimas e ao andamento do processo.
“Quando ele diz no vídeo que em 30 dias vai sair e que tudo ficará bem, a vítima pensa: ‘e o que vai acontecer comigo depois?’ Isso desencoraja”, afirmou.
Campêlo informou também que os áudios e vídeos relacionados às supostas ameaças já estão sob posse do Ministério Público de São Paulo e das forças de segurança responsáveis pela investigação.
Melqui Galvão foi preso no dia 27 de abril, em Manaus, sob suspeita de envolvimento em crimes sexuais contra pelo menos três alunas. As investigações tiveram início após a denúncia de uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, que relatou ter sido vítima de atos libidinosos sem consentimento durante uma competição internacional.
A jovem, que atualmente está nos Estados Unidos, já prestou depoimento às autoridades, acompanhada de familiares.
De acordo com a Polícia Civil, além de atuar como atleta e professor de jiu-jítsu, Melqui Galvão também é servidor efetivo da instituição, lotado no setor de capacitação, onde ministrava treinamentos de defesa pessoal. Em razão da gravidade das acusações, ele foi afastado cautelarmente de suas funções.
Uma das vítimas relatou um episódio ocorrido durante uma viagem para uma competição internacional, quando ainda era adolescente. Segundo ela, Galvão ofereceu um medicamento para que ela pudesse “relaxar” antes do evento.
“Ele colocou a mão dentro da minha blusa e foi a hora que eu acordei… eu fiquei com muito medo ali na hora e acordei num susto”, relembrou a jovem, que afirma ter acordado com o treinador tocando seu corpo após ela cair em um sono profundo.
Outra ex-aluna revelou que os abusos começaram quando ela tinha apenas 12 anos. Aos 14, ela afirma ter sido vítima de relação sexual com o treinador. Segundo o depoimento, Galvão utilizava sua posição de influência para normalizar o abuso, afirmando que “já tinha relações com outras alunas” para evitar que o caso fosse denunciado.
