Missa de sétimo dia das vítimas do ISJ é marcada por emoção e pedidos de justiça


A comunidade educativa do Instituto São José participou, na noite desta segunda-feira (11), da missa de sétimo dia em homenagem às servidoras Raquel Sales Feitosa e Alzenir Pereira da Silva, vítimas do ataque ocorrido dentro da escola no último dia 5 de maio, em Rio Branco. A celebração foi realizada na Catedral Nossa Senhora de Nazaré e reuniu familiares, amigos, estudantes, professores, funcionários da instituição e moradores da capital acreana, em um clima de forte emoção, oração e pedidos de justiça.

Raquel Sales Feitosa, de 36 anos, e Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, morreram após tentarem conter um adolescente de 13 anos armado com uma pistola calibre .380 dentro do Instituto São José. Segundo relatos divulgados por testemunhas, as duas tentaram proteger estudantes e funcionários durante o atentado, mas acabaram baleadas.

Durante a cerimônia, a amiga de Raquel, Andreia da Silva, lembrou a personalidade acolhedora da funcionária e afirmou esperar que a tragédia provoque mudanças concretas na segurança das escolas. “Raquel era uma pessoa comunicativa, falava com todo mundo e tinha uma boa relação com os colegas de trabalho. A gente espera que essas mortes não sejam em vão, que nós venhamos a ter justiça”, afirmou.

Foto: Andreia da Silva e Silva, na missa I Whidy Melo/ac24horas

Educadora, Andreia também relatou medo diante do cenário vivido pela comunidade escolar após o atentado. “Eu, como educadora, também tenho receio por conta do cenário que aconteceu dentro do nosso cenário da educação. Eu espero que nas nossas escolas realmente tenhamos segurança para trabalhar, segurança para os nossos alunos”, declarou.

Muito emocionado, o viúvo de Alzenir, Roberto Bernardes, falou sobre a dor enfrentada pela família desde a morte da esposa e descreveu a servidora como uma mulher dedicada à família e às crianças da escola. “Ela foi uma pessoa muito presente na minha vida. Não foi só uma esposa, foi uma mãe, uma avó dedicada. Tudo que ela fazia, fazia com amor”, disse.

Foto: Roberto pede que justiça não deixe atentado impune I Whidy Melo/ac24horas

Roberto também cobrou providências das autoridades e afirmou que a tragédia poderia ter sido evitada com medidas permanentes de segurança nas escolas. “Justiça, nós queremos justiça, porque não pode ficar impune isso tudo que aconteceu. Proteção nos colégios, porque a gente não tem nenhuma segurança. Agora estão montando protocolo de segurança nas escolas depois de acontecido. Talvez, se tivesse polícia efetiva sempre nas escolas, isso não teria acontecido”, declarou.

Ao falar sobre a relação de Alzenir com os estudantes, Roberto afirmou que a servidora tratava as crianças da escola com o mesmo carinho dedicado à própria família. “O amor que ela tinha em casa, ela tinha em dobro com as crianças, com os filhos dos outros. Ela podia estar com o maior problema, mas não transmitia isso pras crianças”, contou.

Foto: Whidy Melo/ac24horas

Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, o viúvo relatou as dificuldades enfrentadas desde a perda da companheira. “Tá sendo muito difícil pra mim. Cada lugar, cada momento, cada segundo tá sendo difícil”, afirmou, antes de relatar que amigos próximos têm ajudado a enfrentar o luto.

A cunhada de Alzenir, Maria José Bernardes, também falou sobre o impacto da tragédia na família e lamentou que a servidora não tenha conhecido o terceiro neto, que nascerá em breve. “Ela deixou a filha dela grávida. Não conheceu mais o terceiro neto dela. É muito doloroso ver um fim trágico desse”, disse.

Maria José afirmou ainda que a sensação de impunidade aumenta o sofrimento dos familiares. “Eles tão impunes, né? É isso que dói mais ainda”, declarou.

A missa foi organizada pelas Irmãs Servas de Maria Reparadoras e pela comunidade educativa do Instituto São José. Ao longo da celebração, familiares e amigos se abraçavam enquanto fotos das vítimas eram exibidas no altar da catedral.

O ataque ao Instituto São José provocou forte comoção no Acre e levou à suspensão das aulas em todo o estado por vários dias. Após a tragédia, o Governo do Acre anunciou protocolos emergenciais de segurança, reforço policial nas escolas e ações de acolhimento psicológico para estudantes e profissionais da educação.

A Polícia Civil investiga se o adolescente agiu sozinho e apura possíveis influências externas no planejamento do atentado, além das circunstâncias que permitiram o acesso do menor à arma utilizada no crime.



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