Filho faz apelo para encontrar família acreana que mãe não vê há 50 anos


No Dia das Mães, um filho de Boa Vista, em Roraima, tem um desejo que vai além de um presente comum, ele quer reencontrar a família que a mãe deixou para trás no Acre há mais de 50 anos. A história de Maria Regina Vieira da Silva, de 68 anos, foi compartilhada pelo filho Hildemberg Vieira, de 50 anos à reportagem do ac24horas, nesta sexta-feira (9). Tudo começou com uma postagem nas redes sociais, e a história chegou à redação com detalhes da trajetória da mãe.

Maria Regina nasceu com o nome de Damiana e cresceu às margens do Igarapé Grajaú, numa colocação da região de Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre. Ainda entre 12 e 14 anos, fugiu do local onde vivia por sofrer maus-tratos e por querer algo diferente para a vida. Ao chegar a Cruzeiro do Sul, ficou pelas ruas da cidade até ser recolhida por uma família de um juiz da região, de acordo com seu relato, ele se chamava Jorge. A família a levou para Manaus, no Amazonas, onde voltou a sofrer maus-tratos e a trabalhar em condições análogas à servidão, como empregada doméstica.

Ela fugiu novamente e foi abrigada por outra mulher, desta vez com remuneração pelo trabalho. Foi nesse período que conheceu o homem com quem se casou e teve filhos. Mais tarde, se separou e foi para Roraima, onde mora há 30 anos e fixou raízes. Ao longo dessa trajetória, o nome dela mudou. Por não ser registrada em cartório, condição comum entre famílias ribeirinhas da época. Seu filho também contou que ela tem uma irmã gêmea, à época, chamada Cosma Balbino de Souza.

A família que ela deixou para trás inclui a mãe, Sebastiana Nobre Vieira da Silva, e o pai, José Balbino de Souza, além dos irmãos Benedito Balbino de Souza, José Francisco Balbino de Souza e Pedro Balbino de Souza. Hildemberg relatou que a mãe sente muita saudade e nunca deixou de procurar os familiares. “Ela é apaixonada para tentar achar”, disse.

Apesar das décadas de distância, as memórias do Acre seguem vivas, assim como o carinho pelo estado. “Ela conta da época dos seringais, as colocações. Ela ajudava a tirar borracha. Ela ia para outras colocações só para ganhar bombom e dançar”, relatou Hildemberg. Ele e os irmãos dedicam noites inteiras à pesquisa. “A gente passa a noite pesquisando, tentando achar”, afirmou.

O sonho de Maria Regina é voltar ao Acre e rever quem ficou. O filho está determinado a tornar isso realidade ainda este ano. “É o sonho dela vir ao Acre. E ela tá se organizando para tentar ano que vem vir ao Acre”, disse Hildemberg, que fez da data mais especial para as mães o momento de tornar público o apelo. Quem tiver informações sobre a família pode entrar em contato pelo número (95) 99143-7583.​​​​​​​​​​​​​​​​



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