Em São Luís milhares de mulheres começam o dia equilibrando pedidos, produção, filhos, casa e sonhos. São mães que empreendem, sustentam famílias e movimentam a economia maranhense com coragem, criatividade e resistência.
No Maranhão, mais de 145 mil negócios formais e ativos são liderados por mulheres, o equivalente a 41,2% das empresas do estado. O crescimento do empreendedorismo feminino também chama atenção: entre 2025 e 2026, o número de mulheres à frente de negócios cresceu quase 23%. Mesmo com escolaridade média 16% superior à dos homens, elas ainda enfrentam desigualdade salarial e o peso de conciliar maternidade e trabalho.
Mas por trás dos números existem histórias reais. Neste Dia das Mães, conheça histórias de mulheres que encontraram no empreendedorismo uma forma de sobreviver, criar os filhos e, principalmente, conquistar independência.
Aos 49 anos, Eliza Ribeiro divide sua vida entre a Eliza Ribeiro Costuraria e o Delícias Ateliê. Costureira há mais de 30 anos e confeiteira por paixão, ela fala sobre o trabalho com emoção de quem construiu tudo com as próprias mãos.
“Eu comecei a costurar aos 17 anos. A princípio era diversão, curiosidade. Depois fiz um curso à noite e me encontrei dentro da costura”, lembra. “Na confeitaria foi mais por curiosidade também, para ajudar meu marido. E eu fui me encontrando.”
A maternidade foi o ponto de virada da sua trajetória profissional. Depois do nascimento da filha, Eliza decidiu abandonar o emprego formal para trabalhar por conta própria e acompanhar de perto a criação dos filhos.
“Eu não tive mais vontade de trabalhar fora de casa, de bater ponto. Então me joguei mesmo na maternidade e no empreendedorismo”, conta. “Eu queria fazer as coisas no meu horário e não abrir mão de cuidar da minha filha.”
Hoje, além da filha universitária de 23 anos, ela também cuida do filho caçula, de 8 anos, diagnosticado com autismo nível 2 de suporte. Entre terapias, consultas, escola e clientes, a rotina exige organização e força emocional.

“A minha rotina diária é muito louca”, admite. “Mas são os desafios que a vida nos dá e que a gente vai tirando de letra.”
O empreendedorismo, para ela, sempre esteve presente. Ainda criança, ajudava a mãe vendendo bolos nas ruas do interior. “Eu comecei a trabalhar desde os 9 anos de idade. Então eu sou empreendedora desde criança.” Mesmo diante das dificuldades, Eliza nunca pensou em desistir. “A palavra que não existe no meu vocabulário é desistir.”
Ela também se orgulha de ter ajudado outras mulheres a conquistarem autonomia financeira. Ao longo da vida, formou mais de 50 costureiras.
“Tudo o que eu sei, eu quero ensinar para outras mulheres. Que elas consigam se sustentar sem depender de ninguém.”
Do outro lado dessa realidade está Tattiana Targino, de 33 anos, empresária à frente da Malharia Cabide. Filha da fundadora da marca, ela cresceu observando a força feminina dentro do ambiente de trabalho.
“Crescer nesse ambiente me fez ter certeza de que a mulher pode ser independente”, afirma. “Nunca existiu a possibilidade de eu construir uma história que não fosse sonhando e batalhando também.”
Tattiana começou ajudando na empresa ainda jovem, mas foi durante a faculdade de Economia que percebeu que assumiria o legado da família. “Eu comecei a entender que, na ausência da minha mãe, eu precisaria assumir, porque a empresa sempre foi o nosso sustento.”
Ser mulher e assumir um negócio tão cedo trouxe desafios. “Conquistar o respeito e a confiança de fornecedores homens foi algo bem trabalhoso”, relembra.
Hoje, além da rotina intensa na empresa, ela também vive a experiência recente da maternidade. Mãe de uma bebê de um ano e dois meses, tenta equilibrar trabalho e presença afetiva na criação da filha. “Eu procuro estar entregue em absoluto quando estou com ela. Mesmo que seja pouco tempo, que seja um tempo de qualidade.”
Ela também fala sem romantizar a sobrecarga que muitas mães enfrentam.
“A gente nunca vai dar conta de tudo”, afirma. “A única forma que eu consigo lidar com isso é fazendo acompanhamento profissional para minha saúde mental.”
Para Tattiana, a maternidade mudou a forma de enxergar outras mulheres dentro do ambiente profissional. “Hoje eu acolho e entendo muito mais uma mulher que materna e trabalha.”
Neste Dia das Mães, histórias como as de Eliza e Tattiana ajudam a traduzir a realidade de milhares de mulheres maranhenses: mães que costuram sonhos, administram negócios, enfrentam crises, criam filhos e seguem encontrando forças para continuar. Porque, para elas, empreender vai além do lucro. É também sobre independência, amor e permanência.
“Para todas as mães, para todas as mulheres que sonham em empreender, que elas não tenham medo dos desafios, que elas aprendam a serem livres, a ter liberdade de se expressar, de fazer, não dá certo uma coisa, não desista, tenta outra”, aconselha Eliza. “Todas as coisas que eu tenho vontade, eu aprendo. E se uma hora eu precisar mudar de atividade, eu não vou ter medo de mudar e recomeçar e fazer outra coisa, porque a única coisa que eu não tenho na minha vida é medo.”