A maternidade é uma experiência transformada e complexa para a maioria das mulheres, mas para Cristiana Locatelli Duarte, há um significado ainda mais profundo: o amor incondicional mesmo diante das adversidades e o encontro de almas proporcionado pela adoção. Mãe atípica, Cristiana criou um filho com paralisia cerebral e atraso mental e adotou a filha após criar um vínculo intenso com a então criança.
Ruy Aldo Locatelli Duarte faleceu com 32 anos, mas a mãe nunca esqueceu os anos em que teve o prazer de viver ao lado do filho.

“A maternidade foi uma benção para mim, não seria o que sou hoje sem os dois. Com o Ruy, sempre tentei lidar bem com essa situação, porque ele faleceu com 32 anos, tinha o corpo de um adulto, era super alto, mas tinha a mente de um pré-adolescente. Tinha que existir muito respeito para entender essa diferença, do corpo tendo que exercer funções adultas, mas com uma condição neurológica diferente”, explica Duarte.
Cristiana compartilha que existe uma lembrança calorosa e de muito amor em seu coração sempre que pensa no filho. “Ele foi uma lição de vida, me mostrou que o amor não tem tamanho, nem limitação, e eu sentia um amor tão puro vindo do meu filho, um sentimento tão raro, sem mentiras, sem mágoas, ele realmente me ofereceu o coração dele”, acrescenta.
A mãe define a maternidade atípica como um “cordão umbilical permanente”.
“Nós não vivemos essa fase de que o filho vai criar independência, vai ir pra um lugar sozinho, resolver aquilo outro, não, ele vai ser sempre dependente de você. E você sabe, depois que você tem um filho com algum tipo de necessidade especial, que você não volta ser a pessoa que era antes, porque transforma tua vida”.
Vínculo afetivo e uma filha escolhida

Anos depois do nascimento do primeiro filho, Cristiana Duarte seria mãe novamente, dessa vez, por meio da adoção. Ela conta que conheceu a filha, Rozinete Locatelli, por meio do convívio que tinha com os pais biológicos da, na época, criança.
“Os pais delas eram conhecidos meus e do meu marido, e nós tínhamos convívio, e ela passou a conviver na minha casa, e teve uma vez que pedi que eles deixassem ela viajar comigo, e ela foi, e cresceu esse vínculo afetivo. Chegou em um ponto que eu falei sobre isso, de querer ser mãe dela, e ela disse que também queria ser minha filha. Então, optamos pela adoção”, explica.
O sentimento foi comunicado aos pais biológicos de Rozinete, que passaram a guarda da filha para Cristiana. “Isso também é uma vivência diferente, porque os pais dela são vivos, mas a gente se escolheu, isso tudo foi muito maravilhoso. Hoje ela é uma mulher adulta, com 45 anos, casada, e tenho muito orgulho de quem ela se tornou”.