O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) pediu “maturidade” aos seus aliados e grupo político diante do impasse aberto na sigla entre a escolha do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), pré-candidato à reeleição, e uma ala do partido que prefere o senador Jayme Campos. A decisão, disse, ficará mesmo para a convenção partidária.

Se tivermos maturidade, podemos disputar isso na convenção. Se a maioria do partido escolher um caminho, espero que a decisão seja respeitada
Afiliado político do ex-governador Mauro Mendes, ele defende o nome do atual ocupante do Paiaguás, com quem conviveu nos últimos sete anos e três meses, como secretário da Casa Civil no Governo.
Mendes, que é presidente da sigla no Estado, definiu desde o fim do ano passado o nome do governador como seu sucessor.
“Se tivermos maturidade, podemos disputar isso na convenção, terminar da convenção. Se a maioria do partido escolher um caminho, espero que a decisão seja respeitada e a gente possa seguir em frente”, pediu o deputado.
Desde a decisão de Mendes, Jayme iniciou uma cruzada partidária colocando-se como pré-candidato natural ao Governo, com respaldo político nacional e de filiados locais, com mandato e sem mandato. O debate público entre Mendes e Jayme só aumentou. E eles concordam que o dilema se resolverá na convenção, provavelmente em agosto.
Nesta entrevista ao MidiaNews, Fábio Garcia ainda criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para quem “na propaganda prometeu picanha e cerveja” e deixou um país com as pessoas “super endividadas”.
Ele ainda apontou que a obra do VLT, uma ferida a céu aberto nas vias de Cuiabá, “foi objeto de grande esquema de corrupção” e por isso não foi adiante. O deputado também defende corte de custos nos poderes públicos.
Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):
MidiaNews – Qual é o limite, qual que é o acordo necessário, para se resolver esse impasse do ex-governador Mauro e do senador Jayme Campos no partido? O primeiro quer apoiar a reeleição de Otaviano Pivetta e o segundo quer ser candidato ao Governo.
Fábio Garcia – O limite é a convenção. Se nós não conseguirmos um acordo, o partido discutirá dois projetos distintos na convenção. Um de apoio ao governador Otaviano Pivetta e outro apoio à pré-candidatura do senador Jayme Campos como governador.
Espero que a gente consiga antes das convenções, mas se não conseguirmos, essa vai ser uma disputa na convenção.
MidiaNews – E essa disputa interna não pode enfraquecer o partido, de modo que vocês vão chegar divididos no meio de uma campanha importante?
Fábio Garcia – Eu disputei com o Botelho uma pré-candidatura à Prefeitura de Cuiabá. Não chegamos a ir à convenção, porque o Botelho, no final, conquistou o apoio do senador Jayme Campos, do deputado Júlio Campos, do deputado Dilmar, do governador Mauro Mendes.
Portanto, todas as lideranças do partido estavam apoiando o Botelho e eu fiquei sozinho com a minha pré-candidatura. Então, tive que aceitar a decisão do partido. Mas aconteceu e da minha parte não ficou cicatriz. Se tivermos maturidade, podemos disputar isso na convenção, terminar na convenção. Se a maioria do partido escolher um caminho, espero que a decisão da maioria seja respeitada e a gente possa seguir em frente.

Eu só posso escutar as palavras que o Jayme está dizendo e ele está dizendo que vai até o fim.
MidiaNews – E o senhor vai trabalhar para que o candidato apoiado pelo União Brasil seja o governador Otaviano Pivetta?
Fábio Garcia – Eu faço parte de um grupo político desde muito cedo. Comecei na política, com o ex-prefeito de Cuiabá e ex-governador Mauro Mendes. Esse é o projeto que ele defende. Eu tenho maior respeito e estima pelo Jayme, inclusive fui senador da República, suplente dele e ainda sou suplente do senador Jayme Campos.
Tenho um respeito pelo Jayme sim, mas entendo na verdade que tem um projeto que já estava desenhado há bastante tempo, desde que o Pivetta foi vice-governador do Mauro, já tinha um desenho de que obviamente ele seria um nome natural à sucessão.
Portanto, vejo como muito natural a candidatura do Pivetta. Agora que ele assumiu o Governo, vai para a candidatura à reeleição, o que torna ela ainda mais natural. Então, esse é o caminho.
MidiaNews – O fato de o senador Jayme arrastar a pré-candidatura dele até o final, até à convenção, não esfraquece o futuro do União Brasil?
Fábio Garcia – Eu só posso escutar as palavras que o Jayme está dizendo e ele está dizendo que vai até o fim. Mas sempre que encontro com o Jayme, a gente conversa e ele tem mantido a posição firme de que ele é pré-candidato ao Governo.
MidiaNews – O senhor quase se filiou ao Podemos em determinado momento da janela partidária. O que estava acontecendo? Havia uma previsão de muitos pré-candidatos no União Brasil?
Fábio Garcia – Foram diálogos que aconteceram. Eu nunca fiz diálogo fechado entre quatro paredes, então a gente precisa ser transparente na vida pública. Fui convidado pelo Podemos para ingressar, abri uma conversa com presidente Max Russi.
Um partido que eu também conheço, de centro-direita, assim como o Democratas, o partido que eu venho, que é um partido de direita no Brasil. Conheço a presidente nacional, deputada Renata Abreu, conheço o presidente estadual, Max Russi, e dialogamos sobre essa possibilidade.
Mas nunca teve nada fechado sobre isso, e no final, a nossa decisão de grupo foi a minha permanência no União Brasil. E estou muito tranquilo, muito contente no União. E também não tinha nenhum motivo para mudar de partido.
MidiaNews – No Podemos poderia ser mais fácil reeleger-se deputado federal?
Fábio Garcia – Eu não acredito que exista eleição fácil para deputado federal em nenhum partido, em nenhum local. O que você precisa para eleger deputado federal é ter voto. E para ter voto, precisa ter serviço prestado.
Portanto, vou me apresentar como pré-candidato a deputado federal. Apresentar o serviço que prestei para Mato Grosso, os 142 municípios nesses últimos anos, junto com o governador Mauro, o governador Otaviano Pivetta, grandes entregas para cada um dos 142 municípios e a minha proposta para que a gente possa consertar o Brasil.

As pessoas naturalmente buscavam partidos onde enxergavam uma melhor chance de eleição
MidiaNews – O União Brasil ainda não conseguiu completar a chapa de 25 nomes para deputado estadual. O que de fato está acontecendo nos bastidores?
Fábio Garcia – Isso era previsível, porque a União Brasil vinha com quatro deputados estaduais com muito potencial de voto. Eram: Dilmar Dal Bosco, Eduardo Botelho, Júlio Campos e Sebastião Rezende.
E com a mudança que houve de interpretação do Supremo Tribunal Federal sobre como cada partido vai distribuir essas vagas, dificultou que qualquer partido faça mais do que 4 a 5 deputados estaduais.
Então, para trazer lideranças para disputar uma eleição num partido que está em quatro nomes muito consolidados, é muito difícil. A pessoa fica pensando: “Ah, eu vou vir aqui e vou servir de escada para Dilmar, Botelho, Sebastião Rezende, Júlio Campos, porque eu não tenho chance de eleger”.
Então, as pessoas naturalmente buscavam partidos onde enxergavam uma melhor chance de eleição. Então era previsível a dificuldade da União Brasil de formar a chapa. E é o que aconteceu.
MidiaNews – Isso fez, inclusive, o deputado Eduardo Botelho ir para o MDB para balancear mais a chapa?
Fábio Garcia – Claro. O Botelho foi para o MDB num movimento acordado. Na verdade, para que ele pudesse ali no MDB buscar uma alternativa para eleição que ele iria enfrentar.
E, quando você pega um deputado como Botelho, que é um nome bastante consolidado, com uma expectativa de votação muito grande, ele sair da chapa, abre perspectiva para outros candidatos se elegeram, como por exemplo a Michelly Alencar, nossa vereadora de Cuiabá, que vai disputar a eleição como deputada estadual pela União Brasil.
MidiaNews – E o União Brasil e o PP, que formam uma federação, terão os 25 nomes para lançar?
Fábio Garcia – Terão os 25 nomes, porque a União Brasil é o maior partido de Mato Grosso em termos de número de vereadores, de número de prefeitos, vice-prefeitos. Não tenho dúvida que vamos completar a chapa. Temos um time à disposição da União Brasil para poder completar toda essa chapa e disputar a eleição e vamos eleger de dois a três estaduais.
MidiaNews – O fato de Botelho ir para o MDB e de o União não completar a chapa parecia que havia um esvaziamento do partido. Isso se deve à insistência do senador Jayme Campos querer ser pré-candidato ao Governo?
Fábio Garcia – Não, de forma alguma. Na verdade, esse movimento que o Botelho fez foi um movimento conversado, dialogado conosco. Não comigo, porque eu não sou mais presidente do partido, o presidente do partido é o governador Mauro, mas foi um movimento dialogado diante da dificuldade da gente completar uma chapa com quatro nomes tão consolidados.
Então, não tem nenhuma relação entre a ida do Botelho para o MDB e a pré-candidatura do Jayme ao Governo.
MidiaNews – Mato Grosso tem uma mácula que é a questão do feminicídio. O que fazer para superar essa questão?
Fábio Garcia – O feminicídio é um caso triste que a gente tem no Brasil. Há um sentimento que existe de impunidade. Eu, inclusive, defendo publicamente por algumas vezes que a gente precisa romper algumas barreiras para que possamos mudar comportamentos culturais. O comportamento cultural da sociedade brasileira é machista, onde o homem, muitas vezes, pensa ser dono e proprietário da sua companheira.
Essa cultura machista precisa ser rompida. Para romper, às vezes, medidas fortes são importantes. Por isso tenho defendido prisão perpétua para feminicida. É um crime, o homicídio com dolo, com intenção de matar de uma mulher pelo simples fato dela ser mulher. Portanto, para mim, um homem que comete um crime desses, não deveria ter mais o direito de voltar a conviver com a sociedade. Quando a gente colocar penas duras como essa, a pessoa vai pensar muito mais do que duas vezes.
MidiaNews – Tem a iniciativa de lei no Congresso sobre esse tema?
Fábio Garcia – Tem lá no Congresso Nacional, já está em tramitação e fizemos agora uma reforma do Código Penal que está em processo de aprovação, onde se coloca um referendo para a população brasileira específica sobre o tema da prisão perpétua. Eu espero que a gente possa, no fim, romper barreiras. Para mim, o Brasil precisa ser repensado.
MidiaNews – E o senhor é a favor de redução da quantidade de parlamentares, deputados federais e senadores, e até mesmo uma reforma do Judiciário, por serem custoso ao Brasil?
Fábio Garcia – Todos os poderes no Brasil são custosos e todos precisam passar por uma reforma administrativa de redução de custo. Nós vamos repensar todos. Se for preciso diminuir o número de parlamentares mantendo a representatividade de cada Estado, sem problema nenhum. Mas existe um custo em toda a estrutura da máquina pública que não é somente o custo dos parlamentares em si. São as assessorias dos partidos, é o funcionamento de toda aquela máquina.
Precisamos olhar com profundidade e ir cortando gastos no Brasil. Não tem o problema da redução de número parlamentares no Brasil desde que mantida a proporcionalidade, a representatividade de cada Estado. Não dá para continuar como hoje, onde Mato Grosso, por exemplo, deveria aumentar a sua bancada, a representatividade, porque é um Estado que a população cresceu, portanto teria direito a mais duas cadeiras na Câmara Federal. E outros Estados que não querem perder a representatividade e, portanto, decidiu-se não ajustar o número de cadeiras.
Então, sou a favor da redução de custo e sou a favor do ajuste da representatividade. E outra forma da gente diminuir o tamanho da máquina pública é privatização de empresas públicas não eficientes.
MidiaNews – Em Mato Grosso, já se falou algumas vezes em redução de máquina, de extinguir a Empaer, entre outros. Existe alguma estrutura na gestão do Governo que possa ser enxugada para cortar custos?
Fábio Garcia – Sempre há espaço e isso é um exercício diário de contenção de despesa e de corte de custo. É como a gente faz na nossa vida. Todo final do mês, a gente olha o nosso cartão de crédito, vai de gasto em gasto e vê onde poderia ter economizado. Aonde está gastando muito.
Essa análise que a gente faz na nossa vida todo dia, que se faz na empresa, todos os dias olhando nossos custos de produção, nosso produto, para saber se a gente está produzindo com eficiência.
Precisamos todo dia olhar para o custo da máquina e cuidar disso. Até porque cada real que a gente economiza no custeio da máquina é um real a mais de investimento para melhorar a vida das pessoas.
MidiaNews – E existe alguma área ainda que tem que cortar custo no Governo?
Fábio Garcia – Como disse, sempre tem. Se a gente olhar, a cada dia tem algo. E a gente faz isso para você ter uma ideia. O Governo do Estado tem um conselho que chama CONDES, Conselho de Desenvolvimento Econômico Social do Estado, por onde passam todas as decisões de contratação das secretarias.
Eu era presidente do conselho como secretário da Casa Civil, mas participa o vice-governador do Estado, participa o secretário de Fazenda, o secretário de Gestão, a Procuradoria Geral do Estado, a Controladoria Geral do Estado.
E neste conselho a gente debate cada investimento e cada decisão de compra robusta. É controlar custo. É não deixar que o Estado possa fazer compras que não sejam necessárias.
MidiaNews – Por falar em cortar custos, qual a avaliação faz no atual mandato do presidente Lula? Falta cortar custos? Onde?
Fábio Garcia – Claro que falta. O Brasil é um país que não tem capacidade de investimento. A gente pode resumir esse governo de Lula entre duas fases. A da campanha, que é cerveja e picanha para todo brasileiro, quer dizer, a nossa vida vai estar muito boa, todos vamos estar podendo no final de semana tomar cerveja e comer picanha.
E hoje, o brasileiro está super endividado. A vida do brasileiro melhorou? Não. Se a vida do brasileiro não melhorou, é porque o Governo falhou.
Portanto, o resultado do governo Lula está aí, numa população super endividada, num país sem capacidade de fazer investimento… Aquele Governo que tinha prometido que todo mundo ia comer picanha e tomar cerveja fim de semana. Então, para mim, é um governo que falhou.
MidiaNews – Uma questão que tem levantado críticas é a obra do BRT, antes VLT, que até hoje não foi concluída. Por que isso ainda não foi implantado em Cuiabá e Várzea Grande diante de tanta tecnologia que tem hoje na área da construção?
Fábio Garcia – É uma tristeza, mas um reflexo de um país burocrático, difícil de se trabalhar e de se resolver. A obra do VLT, todo mundo lembra, foi objeto de um grande esquema de corrupção, delatado a época pelo ex-governador Silval Barbosa.
Com isso, a empresa que estava contratada para fazer a obra ficou sem poder, impedida pela justiça de continuar tendo contratos com o Governo, porque participou de um esquema de corrupção. A obra ficou por um longo tempo paralisada.
O Estado, antes do Mauro e do Pivetta assumirem, não tinha dinheiro para tocar a obra. Quando eles assumiram, recuperaram a capacidade fiscal, financeira do Estado e decidiram retomar essa obra mudando o modal do VLT para o BRT. O projeto original antes da corrupção era BRT. Inclusive, a mudança do BRT para o VLT foi objeto de delação da corrupção. Mudou para corromper.
MidiaNews – Por que tinha mais volume de recursos para serem desviados, é isso?
Fábio Garcia – Exatamente, mudou para aumentar o valor e roubar mais. Não é porque era um melhor meio de transporte, mudou para aumentar o valor e roubar mais. Tanto é que compraram os vagões e não faziam as obras.
É como se você comprasse os móveis de uma casa e não tivesse nem começado a subir as paredes. Foi isso que aconteceu. Os móveis ficaram lá, que são os vagões. Ficaram lá tomando sol, chuva, depreciando com o tempo.
Porque o interesse não era fazer uma obra que viesse a atender a população, mas, sim, roubar Mato Grosso. Agora, a gente entrou, o Mauro entrou, assumiu, retornou ao modal que os estudos técnicos comprovavam que era o mais apropriado para o fluxo de transporte em Cuiabá e Várzea Grande e recomeçou a obra.
Mas tivemos e temos muitas dificuldades com a obra pública no Brasil em geral, porque é um país burocrático, tem dificuldade com as empreiteiras, tem dificuldade de mão de obra, tem paralisações por diversos motivos ao longo de uma obra. Portanto, é um desafio. Eu sei que é algo que está todo mundo incomodado, eu, qualquer cidadão que more aqui na região metropolitana de Cuiabá, está incomodado com essa obra, não dá para se esquivar do problema que existe na frente.
O que a gente precisa fazer é reconhecer que há um problema, abaixar a cabeça, trabalhar muito, deixar essa obra pronta. E é isso que a gente vai fazer.
MidiaNews – O que foi planejado em 2019 e 2022, que ainda precisa ser colocado em prática em termos de políticas públicas no Estado de Mato Grosso, em quais áreas, como prioridade?
Fábio Garcia – Há muitos desafios no Estado de Mato Grosso. Nós temos um Estado enorme, gigante, com grandes desafios de infraestrutura, apesar de termos melhorado muito a infraestrutura no Estado de Mato Grosso.
Quando o governo Mauro e o Pivetta assumiram o Estado de Mato Grosso, tinha 6.400 km de rodovia pavimentada em toda a sua história.
Nos 8 anos de governo Mauro e Pivetta, serão entregues mais 7.000 km de rodovia pavimentada. Quer dizer, mais do que dobrou tudo que havia sido feito na história do Estado de Mato Grosso, mas é um Estado com mais de 40 mil quilômetros de rodovias, um Estado com uma extensão gigantesca. Portanto, infraestrutura continua sendo um grande desafio.
A saúde pública continua sendo um grande desafio, apesar da gestão Mauro e Pivetta ter construído mais quatro grandes hospitais. Hospitais Regionais em Confresa, Juína, Tangará da Serra e em Alta Floresta. E também o melhor hospital público do Brasil, o Hospital Central, e ter acabado a obra do hospital Júlior Müller. Então são seis hospitais construídos pela gestão Mauro, mas a saúde é sempre uma prioridade, sempre uma carência.
Porque a tabela SUS, é a forma com que as prefeituras recebem para custear a saúde pública, ela é uma tabela que está defasada há muitos e muitos anos no Brasil.
Portanto, as prefeituras que têm pouco recurso, elas estão tendo que financiar a saúde pública, que antes era uma obrigação do governo federal. Porque o governo federal não tem dinheiro, o governo federal não atualiza essa tabela, não coloca valores reais na tabela, passa menos para a prefeitura e o custo da saúde pública fica com a prefeitura.
Quando se divide o bolo da arrecadação tributária do Brasil, é o ente que tem a menor participação. A maioria do dinheiro público do Brasil continua concentrado no Governo Federal. Portanto, saúde pública continua sendo um grande desafio.
MidiaNews – Um dos atuais temas discutidos no Congresso é a redução da jornada de trabalho, o chamado fim da escala 6×1. O senhor é a favor?
Fábio Garcia – Vamos esperar o texto ser definido, porque esse texto não está completamente definido, qual será a jornada que vai vir, quantas horas terão e quais são todas as outras alterações para a gente olhar isso objetivamente.
Mas o que digo é que o problema não está na jornada. Na minha percepção. O problema não está na jornada. O problema na minha percepção é que o Brasil precisa conseguir gerar emprego de qualidade. Remunerar melhor o seu trabalhador, com emprego de qualidade e poder dar treinamento para que a gente possa formar mão de obra qualificada no Brasil.
Inserir as pessoas que hoje estão nos programas sociais de volta no mercado para que seja uma mão de obra treinada, que nos ajudem a conduzir esse país.
MidiaNews – Então, o senhor está falando que o problema é na qualificação do trabalhador?
Fábio Garcia – Na qualificação e na geração de emprego de qualidade. Precisa qualificar e ter oferta de emprego de qualidade. Para ter oferta de emprego de qualidade, precisa incentivar para que o setor produtivo possa crescer.
E não se faz isso com taxa de juros de 14% enquanto a inflação é de 4%. Você não faz isso com o imposto na altura como está no Brasil. Portanto, precisa ter um ambiente para desenvolver, para criar emprego de qualidade e ter mão de obra qualificada para ocupar esse espaço. Porque a gente quer que as pessoas ganhem mais.
MidiaNews – Como está a sua relação com o deputado Eduardo Botelho depois de 2024. O senhor chegou a dizer que teria desempenho melhor do que ele.
Fábio Garcia – Eu disse o que eu acreditava. Disse, obviamente, o que defendia. Acreditava no meu projeto como pré-candidata a prefeito de Cuiabá.
E defendia que eu era o candidato, porque eu tinha convicção do meu potencial. Então, o que disse, fui bastante verdadeiro e transparente, como sempre fui na minha vida.
Eu era e sempre fui oposição ao prefeito Emanuel Pinheiro. Cuiabá queria uma mudança, tanto é que votou no Abilio, que era a pessoa que representava a maior mudança, maior antagonismo ao Emanuel. E eu sempre fiz oposição ao Emanuel em Cuiabá. Portanto, eu representava uma mudança. E eu tinha o que eu acreditava.
O histórico que me capacitava a ser pré-candidata a prefeito de Cuiabá. Seja pela minha experiência na administração privada em grupos multinacionais, minha experiência na prefeitura de ter sido secretário de Governo e conhecer por dentro a máquina municipal, minha experiência como senador da república, como deputado federal, como secretário-chefe da Casa Civil, eu trazia então comigo um conjunto de experiências que eu acreditava, que me habilitavam para aquele desafio.
MidiaNews – Falando em candidatura, existe a possibilidade de o senhor ser dupla de chapa com o governador Otaviano Piveta na posição de vice?
Fábio Garcia – Não, o projeto hoje é deputado federal. É o projeto que eu estou trabalhando, é a pré-candidatura que eu estou trabalhando. Inclusive o governador Otaviano Pivetta já manifestou a sua preferência por ter uma mulher da Baixada Cuiabana como vice.
Então, assunto para mim é um assunto pacificado. Estou trabalhando para ser pré-candidata deputado federal e esse é o projeto.
MidiaNews – Mesmo nunca tendo atrasado salários, pago a Revisão Geral Anual (RGA) todos os anos, o atual governo não tem o apoio amplo de servidores públicos. Isso pode prejudicar a sua campanha ou a reeleição do governador Pivetta?
Fábio Garcia – Sempre tive um respeito muito grande com os servidores públicos, um diálogo muito aberto, como secretário-chefe da Casa Civil. Portanto, nunca houve da minha parte nenhum bloqueio para que a gente pudesse fazer os diálogos necessários.
Óbvio que nem todos os pleitos dos servidores públicos a gente consegue atender durante o mandato, mas continuo aqui aberto para qualquer diálogo, reconheço a importância dos servidores públicos e encontrei no serviço público profissionais de altíssimo nível e capacidade para produzir com elevadíssimo comprometimento público, espírito público que dificilmente a gente encontraria, inclusive nas empresas privadas.
Eu tenho um reconhecimento muito grande pelos servidores públicos de Mato Grosso, até porque não há um prego sequer, um centímetro de asfalto sequer, uma obra sequer que aconteça no Estado que não passou na mão de centenas ou milhares de servidores públicos.
Os grandes responsáveis sempre pelo acontecimento, que acontece na administração pública, são os servidores que nos ajudam a tocar uma máquina tão grande, tão complexa como é uma máquina do Governo.
Eu espero, na verdade, que a gente possa manter esse bom diálogo. Lembrando que nós pegamos um Governo com folha atrasada, onde se parcelava os salários para que o servidor pudesse ao longo do mês receber o salário que deveria receber no início do mês. E hoje o que a gente tem em Mato Grosso é salário religiosamente pago em dia.
Portanto, óbvio que o que espero na verdade é que a gente possa ter uma relação respeitosa e dizer que estarei sempre aberto a escutar todas as demandas.
MidiaNews – O senhor não teme que o servidor público vá interferir na sua reeleição e do governador Pivetta?
Fábio Garcia – Não, não temo, na verdade. Eu quero é ter a oportunidade de continuar dialogando com os servidores públicos.
Assista a íntegra da entrevista: