Bastidores
Discussão entre Amauri Ribeiro e Major Araújo, ambos do PL, envolveu nome de Wilder Morais, acusações de “má-fé” e até ameaça de morte
Deputados Major Araújo (à esq) e Amauri Ribeiro trocam acusações na tribuna da Alego (Foto: Reprodução/Colagem)
Um bate-boca entre os deputados Amauri Ribeiro e Major Araújo, ambos do PL, marcou a sessão da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) da última quinta-feira (7). A discussão escalou a ponto de exigir a atuação da Polícia Legislativa da Casa e contou, ainda, com ameaça de morte registrada em vídeo. Depois de a sessão ser encerrada pelo presidente da Casa, deputado Bruno Peixoto (UB), a discussão continuou entre eles. Um vídeo registrou Major Araújo ainda exaltado se dirigindo a Amauri: “Põe a mão em mim para você ver. Amanhã você amanhece morto, rapaz!”.
SAIBA MAIS:
O episódio repercutiu em todo o estado, principalmente pelo fato de os parlamentares integrarem a mesma legenda, comandada em Goiás pelo senador Wilder Morais, que também é pré-candidato ao governo estadual. Morais foi procurado pela reportagem do Mais Goiás, mas preferiu não se posicionar sobre o assunto.
Antes do bate-boca
Nos bastidores, o comentário é que o clima já não era bom desde a filiação de Ribeiro ao PL. O deputado deixou o União Brasil e passou a integrar a sigla por entender que o partido tem “a sua cara”. Araújo, por sua vez, é um veterano da legenda e não teria digerido muito bem a adesão.
A leitura dos interlocutores é que o ‘pé atrás’ de Araújo não estaria relacionado ao Amauri deputado, e sim ao Amauri fiel escudeiro do ex-governador Ronaldo Caiado que tem como sucessor o governador Daniel Vilela. Acontece que a chamada “turma do Daniel” é adversária do grupo ligado a Wilder Morais.

Nesse contexto, o embate ganhou força quando Amauri questionou a ausência de Wilder na votação da indicação do ex-advogado-geral da União Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Amauri, e uma parte considerável do PL, esperava que Wilder estivesse lá para votar “não”. O que não aconteceu.
Wilder não registrou seu voto. Para seu grupo político, a ausência equivaleria a um voto contrário. Nem todo mundo, porém, considerou válido o argumento. Ao reagir às críticas, Major afirmou que Amauri estaria induzindo a população a interpretar a ausência como favorável à indicação de Messias. “A ausência prejudica. E ele sabe disso. Mas fez de má fé”, declarou.
Mais à direita
Antes do ápice da confusão, os dois chegaram a protagonizar uma queda de braço sobre quem representaria de forma mais legítima a direita no estado.
Amauri declarou: “Eu não me lembro de ver o senhor na porta dos quartéis, não me lembro de ver a Polícia Federal na sua casa por dizer na tribuna que apoiava as pessoas no quartéis. Não me lembro também de ver o senhor gritando na tribuna, como grita comigo, quando a esquerda chama Bolsonaro de genocida, quando bateram palmas pela prisão das pessoas que estavam no 8/1. Muito pelo contrário, eu vejo o senhor sorrindo e sentando para pessoas que sequer dou a mão”.
Major rebateu em seguida: “o senhor sempre esteve aliado aos inimigos do PL. Seu partido [se referindo a antiga sigla de Amauri, o União Brasil] tem três ministérios e sempre deu sustentação ao PT. O senhor é um personagem, uma direita trans. O senhor nunca foi da direita, sempre foi centrão, aliado do Caiado. O senhor parece direita, mas o coração aceita qualquer coisa. O senhor veio [para o PL] e manteve os cargos [no governo]. Nós somos oposição nessa casa. Direita não é lugar para quem se vende”.
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