Segundo nome mais importante na hierarquia da GloboNews, Carlos Alfredo Jardim está de saída da Globo depois de quase 30 anos –ele entrou na Globo em 1997 para cobrir uma licença médica na equipe do Fantástico. Desde 2013, o profissional ocupava o posto de chefe de Redação, abaixo apenas do diretor-geral Miguel Athayde na estrutura do canal de notícias.
A saída foi noticiada pelo site TV Pop e confirmada pelo Notícias da TV. A chefia da Redação será assumida em junho por Denise Lacerda, coordenadora do canal de notícias em Brasília desde 2020. Ela entrou na Globo um ano antes de Jardim, em 1996, como produtora do Jornal Nacional.
No comunicado em que anuncia as mudanças na GloboNews, Ricardo Villela, diretor-geral de Jornalismo da Globo, ressaltou que Carlos Jardim havia sinalizado seu desejo de sair em março, para se dedicar à carreira cultural –ele dirigiu e roteirizou o documentário Maria – Ninguém Sabe Quem Sou Eu, sobre Maria Bethânia, e atualmente sua peça sobre Nelson Rodrigues (1912-1980) está em cartaz no Rio de Janeiro.
A incursão por algo tão fora do Jornalismo parece surpreendente, mas fica mais adequada à carreira de Jardim quando se entende que ele ajudou na formatação e no desenvolvimento do Encontro, na época ainda pensado para Fátima Bernardes, e foi até roteirista da Escolinha do Professor Raimundo.
Jardim deixa a GloboNews em um momento de crise institucional: o canal ainda não superou totalmente a exibição no programa Estúdio i do “PowerPoint da discórdia” que ligava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Depois de muitas críticas, Andréia Sadi precisou fazer um pedido de desculpas ao vivo no ar.
Confira a mensagem de Ricardo Villela sobre a saída de Carlos Jardim e a chegada de Denise Lacerda para substituí-lo na chefia de Redação:
“Amigos,
Antes de sair de férias, ainda em março, nosso colega Carlos Jardim pediu uma conversa comigo. Categórico, com a franqueza e o estilo direto que o caracterizam, me informou (e o verbo é este mesmo, ‘informou’, já que não deu margem à contra-argumentação) que deixaria o jornalismo para se dedicar ao teatro, ao cinema, à cultura.
Eu já desconfiava que essa conversa chegaria. Para muitos colegas, Jardim é ‘só’ o jornalista de estilo direto e reto que, em 41 anos de carreira, acumulou o enfrentamento de pedreiras –sempre com muito sucesso. O editor das reportagens de Tim Lopes [1950-2002], vencedoras do Prêmio Esso. Um dos comandantes da cobertura da ocupação do Complexo do Alemão, nosso prêmio Emmy. O chefe de Redação da GloboNews à frente de eleições (Dilma, Bolsonaro, Lula), tragédias climáticas, guerras, conclave, pandemia, tentativa de golpe.
Mas quem convive mais de perto com ele sabe que há um outro lado fascinante do Jardim. Fez parte do time de roteiristas da Escolinha do Professor Raimundo, ajudou a criar o Encontro com Fátima Bernardes e é um grande admirador, conhecedor e especialista em Maria Bethânia –capaz de versar sobre a carreira e as músicas dela por horas, sem se repetir e sem cansar nem a si nem ao interlocutor. Sobre ela, roteirizou e dirigiu o filme Maria – Ninguém Sabe Quem Sou Eu.
Não foi surpresa, portanto, ouvir Jardim me contar que, após tantos anos de ralação bem-sucedida e premiada na Redação, decidiu se dedicar exclusivamente à cultura. Já está em cartaz com Nelson Rodrigues – O Passado Sempre Tem Razão, peça que escreveu e dirige. Está trabalhando no texto de outras duas peças e envolvido na produção de dois documentários.
A partir de junho, é lá, nos teatros e no cinema, que vamos continuar a conviver com o brilhantismo do Jardim. Felizmente, essa movimentação está mais para troca de palco do que para despedida. Para o lugar de Carlos Jardim na chefia de Redação da GloboNews, convidamos Denise Lacerda, de Brasília.
Nascida em Telêmaco Borba, no interior do Paraná, Denise chegou à capital federal há 30 anos. Na Globo, atuou em diversas funções, incorporando desde cedo a alma da Redação de Brasília, voltada para os acontecimentos diários que impactam a vida de toda a sociedade brasileira na economia, na política e na justiça.
Foi produtora e editora do Jornal Nacional, editora e coordenadora do Jornal da Globo. Ficou à frente da coordenação do Jornal Hoje por sete anos –período intenso do jornalismo brasileiro, quando o país começava a ver políticos e empresários irem para a cadeia em um dos maiores escândalos de corrupção de sua história. Na Lava Jato, as notícias começavam bem cedo, e a Redação de Brasília, junto com o Jornal Hoje, produziu alguns dos maiores furos daquela época.
Em 2020, Denise assumiu a coordenação da GloboNews em Brasília, liderando uma equipe de mais de 30 profissionais. Esteve à frente da cobertura do canal durante a pandemia e da crise institucional que culminou nos acontecimentos de 8 de janeiro.
Além de todo o talento no jornalismo, Denise tem a capacidade de unir equipes, estimular o diálogo e compartilhar conhecimento. De se mostrar companheira e parceira nos momentos de maior tensão e de grandes desafios. Essas qualidades estarão a serviço de toda a Redação da GloboNews a partir de 8 de junho.
Ao Jardim e a Denise, desejo muito sucesso!
Villela”