O Atlas da Bioeconomia Inclusiva na Amazônia foi desenvolvido com o objetivo de organizar e sistematizar dados socioeconômicos e ambientais da região, permitindo uma leitura mais detalhada das diferentes realidades rurais da Amazônia brasileira. A proposta é subsidiar a criação de políticas públicas voltadas à bioeconomia, entendida como um modelo de desenvolvimento que utiliza a biodiversidade de forma sustentável, gerando renda, trabalho e equilíbrio climático.
A publicação segue a linha da Estratégia Nacional de Bioeconomia, instituída pelo Decreto nº 12.044/2024, que define o conceito como uma alternativa produtiva baseada no uso responsável dos recursos naturais. O foco principal do atlas está na chamada sociobioeconomia, que busca conciliar conservação ambiental com inclusão social e fortalecimento das economias locais.
De acordo com o pesquisador da Embrapa, Roberto Porro, o estudo surgiu da necessidade de detalhar melhor a complexidade da região. Segundo ele, o levantamento abrange 107 microrregiões da Amazônia Legal, destacando que cada território possui características próprias.
“O que a gente percebeu é que a Amazônia é muito diversa. Cada microrregião tem suas particularidades, então é importante trabalhar com dados mais detalhados, que envolvam informações fundiárias, sociais e econômicas”, explicou.
Ainda segundo Porro, o atlas funciona como uma ferramenta para orientar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento regional. Ele também destaca que a bioeconomia ainda é um conceito em construção, com diferentes interpretações.
“É uma economia baseada na vida, mas ainda existem várias narrativas e perspectivas sobre o tema”, afirmou.
O material foi lançado durante a COP 30 e reforça a importância de integrar conhecimento técnico, conservação ambiental e inclusão social como caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.