Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 05, em Rio Branco, o delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin, detalhou os rumos da investigação sobre o ataque ocorrido no Instituto São José, que deixou duas pessoas mortas e outras feridas. Mais cedo, um adolescente de 13 anos utilizou uma pistola calibre .380, da marca Taurus, pertencente ao padrasto, que é advogado. A suspeita é de que o jovem tenha tido acesso ao armamento dentro de casa antes de levá-lo até a escola.
Segundo o delegado-geral, o caso foi desmembrado em dois procedimentos distintos, considerando a participação de um adulto e de um adolescente. A medida, afirmou, busca dar celeridade e precisão às apurações.
“Não, a gente teve em vista que se tratava de um maior e de um adolescente. Nós optamos por fracionar as investigações em dois procedimentos. Um inquérito policial e um outro procedimento envolvendo o menor. Levando em consideração a minoridade, optamos por fracionar a investigação em dois procedimentos”, explicou.
De acordo com Buzolin, uma das frentes da investigação vai apurar a responsabilidade pela guarda da arma utilizada no crime, enquanto a outra será focada na conduta do adolescente.
“Ele [padrasto] será responsabilizado pela ausência de cautela com o armamento. Isso será uma investigação à parte. Isso é uma responsabilização apenas dele. Então, haverá duas investigações paralelas. Uma investigando a ausência de cautela com o armamento, com a guarda do armamento. E a outra relacionada ao menor”, afirmou.
Questionado sobre a situação jurídica do responsável pela arma que é advogado, o delegado confirmou que ele permanece detido. “Sim, ele permanece detido. O colega que está analisando o caso pode se configurar o crime em flagrante. A ausência de cautela de armamento”, disse.
Sobre o adolescente apreendido, Buzolin explicou que as medidas seguem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê internação máxima de até três anos. “O ECA prevê o prazo máximo de internação máxima de três anos”, afirmou.
Um dos pontos centrais da investigação, segundo o delegado, é a análise do celular apreendido com o adolescente. O aparelho já foi localizado e está sob autorização judicial para extração de dados. “O menor portava, sim, o aparelho do celular. Esse aparelho foi apreendido pelo batalhão da Polícia Militar, aqui próximo à Secretaria de Segurança. Esse celular nós já representamos pelo acesso ao aparelho”, explicou.
“O judiciário já expediu a ordem. E esse aparelho agora será submetido à extração, visando justamente confirmar essa informação. Se ele participava ou não de grupos que planejavam ataques ou se se tratava de um fato isolado”, completou.
Buzolin destacou que o trabalho ainda está em fase inicial e depende da análise de múltiplas provas, como imagens e dispositivos eletrônicos. “É muito prematuro qualquer afirmação. Nós dependemos da análise de diversas provas que foram coletadas, tanto de imagens quanto de dispositivos eletrônicos. Só após a análise de todo esse material poderemos trazer informações mais concretas”, disse.
Ele também evitou especulações sobre possível participação de outras pessoas. “Seria uma irresponsabilidade minha afirmar a participação de outras pessoas”, declarou.
Apesar da complexidade do caso, a Polícia Civil trabalha com um prazo preliminar para conclusão do inquérito. “Nós acreditamos que no prazo de 30 dias será possível concluir a investigação. Não é uma investigação simples. Existem diversos dispositivos a serem analisados e isso demanda tempo. É uma investigação prioritária”, afirmou.
Buzolin reforçou ainda que as equipes seguem mobilizadas para garantir uma apuração completa. “Iremos dedicar bastante esforço em cima dessa investigação, mas nós não podemos ser irresponsáveis em concluir de forma celere sem extrair todas as informações possíveis dos aparelhos apreendidos”, finalizou.