O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Maranhão (SINDJOR-MA) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) publicaram, nesta segunda-feira (4), uma nota de repúdio contra a operação da Polícia Civil realizada na residência do jornalista Marco Silva, em Codó. A ação, executada pela Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) no último dia 29 de abril, fundamentou-se em uma denúncia de calúnia e extorsão protocolada pelo deputado estadual Francisco Nagib (MDB).
As organizações de classe argumentam que o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o profissional constitui uma grave violação às garantias constitucionais do exercício jornalístico. Para o sindicato, a apreensão de ferramentas de trabalho, como computadores e aparelhos celulares, fere diretamente o sigilo da fonte, direito assegurado pela Constituição Federal para proteger a atividade de informar a sociedade.
Em sua defesa, Marco Silva classificou a medida como desproporcional e uma tentativa de intimidação política. O jornalista afirmou que suas reportagens possuem embasamento documental e denunciou suposto abuso de autoridade durante a operação, relatando que sua esposa também foi conduzida à delegacia sem justificativa adequada.
Ele sustenta que o caso configura um ataque direto à liberdade de expressão e à imprensa do interior do estado.
As entidades representativas reiteram que a utilização do aparato estatal para paralisar o trabalho de jornalistas é uma prática perigosa para o estado democrático de direito.
O SINDJOR-MA e a Fenaj cobram rigor na apuração da conduta policial e defendem que divergências sobre conteúdos publicados devem ser resolvidas nas esferas judiciais cabíveis, sem o uso de medidas que inviabilizem a atuação profissional.