Doenças crônicas avançam no Acre e respondem por quase metade das mortes no estado, aponta Saúde


As doenças crônicas não transmissíveis já respondem por quase metade das mortes no Acre e alcançaram, em 2025, o maior percentual da série histórica, com 49,4% dos óbitos registrados no estado. Os dados constam no 1º Boletim Epidemiológico de Doenças Crônicas Não Transmissíveis divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).

Na prática, isso representa 2.117 mortes por esse grupo de doenças, de um total de 4.280 óbitos no estado, indicando aumento da carga dessas enfermidades na população acreana.

Entre os principais grupos, as doenças do aparelho circulatório seguem como a principal causa de morte no Acre, tanto em 2015 quanto em 2025. Já os casos de câncer (neoplasias malignas) avançaram no ranking e passaram da terceira para a segunda posição no período, com crescimento de 40,69% no número de óbitos.

O boletim mostra que, em anos considerados estáveis, fora do período mais crítico da pandemia, as doenças crônicas representam entre 47% e 49% de todas as mortes no estado, consolidando esse grupo como um dos principais desafios de saúde pública no Acre.

Efeito da pandemia nos dados

A análise da série histórica entre 2019 e 2022 revela uma queda temporária na proporção de mortes por doenças crônicas, comportamento descrito como “em V”. Em regiões como o Alto Acre, por exemplo, o índice caiu de 53,6% em 2019 para 33,98% em 2021.

Segundo o boletim, essa redução não indica diminuição real das doenças, mas sim um efeito provocado pela pandemia de covid-19, que elevou o total de óbitos por outras causas, além de impactar o diagnóstico e a notificação das doenças crônicas no período.

Após 2022, os índices voltaram a crescer e se estabilizaram próximos aos níveis anteriores à pandemia, mantendo média de aproximadamente 48% no estado.

Regiões com maior impacto

O levantamento também aponta diferenças regionais. A partir de 2022, as regiões do Juruá e Tarauacá/Envira passaram a concentrar a maior proporção de mortes por doenças crônicas no Acre.

De acordo com o boletim, esse cenário pode estar relacionado a fatores como envelhecimento da população e maior exposição a riscos, como sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e consumo de álcool.

As doenças crônicas não transmissíveis incluem, principalmente, problemas cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes, que têm evolução prolongada e estão associadas a hábitos de vida e condições de saúde da população.



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